sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Espera

Considerações sobre o tempo, a eternidade e a temeridade da vida

Ah! O tempo de Deus.
Como é complicado entender, com a minha mente limitada, essa dimensão (zinha) em que vivemos.
Mas quando olho para o José (do Egito), por exemplo, renovam-se em mim a esperança e a paciência para esperar.
Num instante, e para mim parece demorado demais aqueles 30 anos, tudo conspira contra. Vai-se de filho querido e amado a escravo e até à prisão.
Para mim um absurdo, para o sonhador: era Deus preparando o caminho para coisas grandes e futuras.
E ele estava certo: de escravo, a prisioneiro e daí a governador de todo o Egito.
Esperar por dias melhores sempre, compreender e tentar arrancar um significado em cada circunstância acreditando que elas contribuirão para o bem.
E tudo sem esquecer de que "O melhor das nossas vidas ainda está por vir".
Isto porque aquele que promete pode cumprir. Ouço dele que nenhuma das suas promessas ficará ao vento.
O que é mais estrondoso e confortante é que Ele, Deus, que é eterno, já viu o filme todo.


A Deus toda a glória!



Carlos R. Silva
verão 2014



Referências:
Bíblia Sagrada
  Gênesis 37, 39, 40, 41     Romanos 8:14      
Josué 23:14

sábado, 23 de novembro de 2013

Uma leitura dos Salmos 73

Inveja, amargura, doença, o Santuário e a bondade de Deus

Sabe aqueles instantes, que podem ser rápidos ou durar dias, em que nos questionamos sobre a fé?

Nos Salmos 73, Asafe, músico, compositor de salmos e ministro de música constituído pelo próprio rei Davi, afirma que isso aconteceu com ele também.

Para que o leitor não enverede pelo caminho da dúvida como única solução, nem se tornem tão assustadoras as afirmações iniciais, o texto inicia com uma afirmação contundente de que Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração, para não deixar dúvida.

Alguém acostumado à intimidade com Deus e com experiência de adoração verdadeira afirma que quase se desviou , por pouco não escorregou.

Por quê? Por causa da inveja.
Este sentimento é o querer ter o que é de outro, não basta ser igual ao do outro. É um desgosto ou pesar por causa da felicidade alheia. Está relacionada ao ter, ser e fazer em relação ao outro, tendo o outro como referência.

Numa das suas observações ele vê e fica indignado com a prosperidade do ímpio.
Asafe chegou a desanimar da virtude. E esse desânimo o levou a uma terrível crise. Pouco faltou para que ele rompesse com a ideia de um Deus sábio, bom e justo, e jogasse fora a rica tradição religiosa até então acumulada. Esteve bem perto de uma violenta mudança de pensamento e de comportamento.

Enquanto ele disciplinava o seu corpo, os pecadores pareciam livres, desinibidos, evoluídos, livres de complexos, bem-sucedidos, felizes, seguros e tranquilos. O que mais o desnorteou foi a falsa impressão de que seu zelo não lhe rendia nada. “Por que Deus não me trata de modo especial? Ele não me poupa dos problemas, do cansaço, da aflição, da doença nem da disciplina pelos meus, ainda que pequenos, erros.”, pensava ele. A popularidade dos pecadores confrontava o seu anonimato.  Por certo tempo ele compara-se ao ímpio e divaga. Comparou qualidades do ímpio com seus defeitos e vice-versa. Isso é cruel.

A crise pela qual passou foi séria. Demorou algum tempo e trouxe muito desgaste. Chega a dizer que o seu coração se azedou (amargurou) e sentia picadas nos rins. A amargura trouxe até doença, dores agudas. Amargura é coisa séria e, nesse sentido, Provérbios afirma que O coração em paz dá vida ao corpo, mas a inveja apodrece os ossos. Asafe tentou descobrir o que estava acontecendo, mas só o refletir para compreender isso, tornou-se uma pesada tarefa para ele.

Em sua reflexão ele inicia um processo para sair deste estado. Inicialmente refreia as suas palavras para que não fosse tomado por traidor e mau exemplo. Se eu dissesse: Falarei assim; eis que ofenderia a geração de teus filhos. Nada de agir precipitadamente, domínio.

Até que um dia Asafe entrou no santuário de Deus e compreendeu o destino dos ímpios pecadores que ele estava invejando.

Quando se entra no santuário de Deus, compreende-se que o destino dos que, aparentemente, estão bem está destinado à ruína. Andam por lugares escorregadios, são destruídos de repente e vivem com medo e pavor. São como um sonho que se vai quando a gente acorda.
É! Enquanto estamos amargurados, no íntimo, mesmo que ninguém perceba, sente-se inveja, diz Asafe. Agimos como insensatos e ignorantes, como animal que não pensa. Neste estado chego a ser orgulhoso, desrespeitoso, estúpido e insolente duvidando da justiça de Deus para comigo e para com os outros.
É claro que ficamos perplexos, isto é, sem entender nada, pois retiramos nosso voto de confiança em Deus.

Dentro do templo as coisas mudam, a sua vida ganha e entra em outra dimensão. Recobra-se a visão que vai além do tempo presente e aponta para a eternidade.
No templo há renovo. Renova-se a fé na existência de um Deus bom e cujo caráter é firme e inabalável. Fortalece-se a confiança em um Deus eterno, soberano, onipotente, sábio, justo e verdadeiro.

No santuário abre-se o coração, aquieta-se a alma e derrama-se perante o Senhor a nossa ansiedade, a nossa aflição, a dúvida, a revolta.
Então se passa a ver com clareza, não mais através do nevoeiro gerado pelos sentimentos ruins, e vêm à mente as palavras de outro salmista, Davi: “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade”. Ou ainda “mais vale o pouco do justo que a abundância de muitos ímpios”.

A certeza de que Deus “é amoroso aos milhares, tardio em irar-se, perdoador, compensador dos que o buscam, mas justo e terrível em seus juízos, odeia todo o pecado e de modo algum terá por inocente o culpado” deve ser intocável, nunca deve ser negociada.

Ah, a convicção! Na presença de Deus, no santuário, me lembro de que ele está sempre comigo, me toma e sustenta pela minha mão direita, dirige-me com os seus conselhos e me receberá como alguém importante, com honras.

A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. Tudo o que eu tenho é o Senhor e só ele me basta, em qualquer dimensão.

Reconhecemos que podemos até fraquejar, mas a força que o meu coração precisa está em Deus, além do que ele é a minha herança eterna, todo o bem que eu preciso.

Estar perto de Deus é bom, refugiar-se nele a fim de fugir da angústia, da depressão e da inveja deverá ser o meu alvo.
Em gratidão proclamarei todos os seus feitos. Saio do santuário renovado, fortalecido, testemunhando: Deus é bom. Do jeitinho que o texto iniciou!

Deus é bom.

Se ele não fosse bom, nós já estaríamos destruídos. Louve e engrandeça a Deus porque ele é bom.
Não murmure, não blasfeme, apesar da luta, Deus é bom.
Estamos vivos, estamos na casa de Deus, no santuário, Deus é bom.
Ele cuida de nós, nos protege e nós nem vemos. Ele nos livra de coisas que nós nem sabemos.
Deus é bom. Engrandeça, adore e louve o seu nome porque ele é bom.
Deus está no controle, daqui a pouco você verá a sua bondade manifestar-se na sua vida. 

Deus é bom.


A Deus toda a glória!


Carlos R. Silva
primavera 2013


Referências:

·         Bíblia Sagrada
Salmos 73, Provérbios 14:30, Salmos 37:1,16, Êxodo 34:7, Naum 1:3, Números 14:18

domingo, 17 de novembro de 2013

51 Anos!

Agradecer, agradecer sempre.
Obrigado a todos pelas manifestações de carinho e amizade no meu aniversário.

Não há bem maior do que os amigos com os quais compartilhamos momentos, com os quais compartilhamos vida.

Nenhum ano é igual ao outro, hoje somos diferentes do que éramos ontem, há poucas horas.
Mas nesse processo de transformação pelo qual todos passamos, a despeito do meu exterior que apresenta marcas do tempo implacável, meu interior se renova valorizando a vida, vínculos de amizade e a Graça tão linda de Deus que me move e sustenta.

Continuo na caminhada, não uma caminhada solitária, mas uma caminhada que se apóia e depende de gente que anda comigo: família, amigos e irmãos de fé.
Que continuem as festas, os encontros e até o partilhar de problemas, por que não?
Para que haja mais sabor ao dizermos: valeu a pena!

Espero, sinceramente, continuar sendo alegria para muitos, motivador para os mais jovens, digno de ser imitado e amado.
Espero também me tornar mais humano a cada instante, a cada experiência vivida.

Quero continuar me emocionando todas a vezes em que penso na cruz. Aquela cruz para onde convergiram todas as minhas faltas, todo o meu passado. Cruz que hoje me permite andar de cabeça erguida, justificado! Isso não tem preço, aliás, tem sim um alto preço, que eu jamais poderia pagar, somente ele, Jesus.

Tudo isso traz também responsabilidades, que, às vezes parecem grandes demais. Afinal, decisões podem ser tomadas a partir de uma só palavra minha.

Então, por isso, todos os dias eu falo com Deus e peço: Senhor me ajuda!
E aí as palavras ditas por este mesmo Deus a Josué me soam tão atuais:

"Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a todos os meus mandamentos; não se desvie deles, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem sucedido por onde quer que andares."

Um grande e sincero abraço a todos.

Carlos R. Silva
14/11 - primavera 2013

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Bíblia que Jesus lia

Torah
Quando lemos o Antigo Testamento, lemos a Bíblia que Jesus lia e usava. Ali estão as orações que ele fazia, os poemas que memorizava, os cânticos que cantava, as histórias que ouvia na hora de ir dormir, as profecias que ponderava. Ele venerava cada “i ou til” das escrituras hebraicas.

Quanto mais compreendemos o Antigo Testamento, tanto mais compreendemos Jesus.
Martinho Lutero disse que “o Antigo Testamento é uma carta testamental de Cristo, que ele fez abrir após sua morte e fez proclamar por toda parte por meio do evangelho”.

Numa comovente passagem de seu evangelho, Lucas conta da aparição espontânea de Jesus ao lado de dois discípulos no caminho de Emaús. Embora rumores sobre a ressurreição estivessem se espalhando rapidamente, estava claro que esses dois ainda não acreditavam nisso, como Jesus pôde constatar olhando dentro de seus olhos desanimados. Fazendo uma espécie de brincadeira, Jesus os fez repetir a história de tudo o que havia acontecido com esse homem chamado Jesus durante os últimos dias – eles ainda não o haviam reconhecido. Depois os censurou:

“Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram” Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua glória?” E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras.
Lucas 24:25-27


Hoje em dia nós precisamos de uma experiência do “caminho de Emaús” ao contrário. Os discípulos conheciam Moisés e os Profetas, mas não podiam imaginar como relacionar-se com Jesus, o Cristo.

A Igreja moderna conhece Jesus Cristo, mas está rapidamente perdendo todos os contatos com Moisés e os Profetas.

A Deus toda a glória!

Carlos R. Silva
primavera 2013

Referências:
· Bíblia Sagrada
· A Bíblia que Jesus lia, Philip Yancey

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Por trás das cortinas

Uma confrontação com o recolhimento de Deus pode ser muito desorientadora. Ela pode nos tentar a ver Deus como o inimigo e a interpretar seu recolhimento como falta de interesse.

Um incidente na vida do profeta Daniel ilustra esse caso. Ele teve uma ligeira – ligeira comparada com a de Jó – confrontação com o recolhimento de Deus. Ele se debatia com um problema diário de oração não atendida: por que Deus ignorava seus pedidos insistentes? Durante 21 dias Daniel se dedicou à oração. Ele ficou pesaroso. Renunciou comidas finas. Jurou não comer carne nem beber vinho e deixou de usar loções em seu corpo. E o tempo inteiro clamou a Deus, mas não recebeu nenhuma resposta.

Um dia obteve muito mais do que esperava. Um ser sobrenatural, com olhos flamejantes como tochas e um rosto como um relâmpago, de repente apareceu a seu lado na margem de um rio. Os companheiros de Daniel fugiram aterrados. Quando ele tentou falar com o ser deslumbrante, mal conseguia respirar.

O visitante explicou a razão de seu longo atraso. Ele fora enviado para atender exatamente à primeira oração de Daniel, mas teve de enfrentar forte resistência do “príncipe do reino da Pérsia”. Finalmente, depois de um impasse de três semanas, chegaram reforços, e Miguel, um dos principais anjos, ajudou-o a abrir caminho através da oposição.

Não vou tentar interpretar esta assombrosa cena do Universo em guerra, exceto para mostrar um paralelo com Jó. Como Jó, Daniel desempenhou um papel decisivo na guerra entre as forças cósmicas do bem e do mal, embora boa parte da ação tenha acontecido fora do alcance da sua visão. Para ele, a oração talvez tenha parecido fútil e Deus indiferente; mas um olhar rápido “atrás das cortinas” revela exatamente o contrário. A perspectiva limitada de Daniel, como a de Jó, distorceu a realidade.

O quadro total, tendo o Universo como pano de fundo, inclui muita atividade que nós nuca vemos. Quando nos agarramos com obstinação a Deus em tempos de dificuldades, ou quando simplesmente oramos, mais – muito mais – do que sonhamos pode estar envolvido. É preciso ter fé para acreditar nisso, e fé para confiar que nunca somos abandonados, por mais distante que Deus pareça estar.

A Deus toda a glória!

Carlos R. Silva
primavera 2013

Referências:
• Bíblia Sagrada
Daniel 10:1-21
• Sinais da Graça – Philip Yancey