quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Natal, O Deus Eterno entre nós

Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos.
E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; e ficaram aterrorizados.
Mas o anjo lhes disse: "Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo:
Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor.
Isto lhes servirá de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura".
De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo:
"Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor".
(Lc 2:9-14)


Introdução

O que é o Natal? Porquê até mesmo entre os cristãos não há unanimidade quanto a esta data e o que fazer com ela?

Quando me comporto de maneira irredutível, poderá ser que esteja me assemelhando ao povo dos quais disse João: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” (Jo 1.11).

Em nossos dias, muitos agem à semelhança do rei Herodes: “Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo (Mt 2.8). Declaram adoração ao Messias, mas, na verdade, não estão interessados nos planos de Deus ou na pessoa de Jesus Cristo, que é a razão da celebração natalina.

Precisam urgentemente pensar numa celebração diferente daquilo que praticam irrefletidamente e, quem sabe, pela primeira vez na vida, prestar verdadeira adoração a Deus, o amado Pai, que se encarnou na pessoa real e histórica de Jesus, para habitar entre os homens e chamá-los de volta aos planos amorosos desse mesmo Deus. 
 

1. O Natal é carregado de significado

O Natal tem sido combatido por alguns cristãos, que alegam que ele é a festa pagã do culto ao Sol.
Outros que ela é originada na Saturnália (homenagem a Saturno), em Roma, antes de Cristo, por causa das suas semelhanças: cores, comer juntos, confraternização, acender luzes (na época eram velas e tochas), igualdade entre as pessoas bem como a inversão da ordem social que ocorria nos dias de festividades.

Depois de Cristo, até o ano 300, comemorou-se mas já com o nome de Brumálias (homenagem a Baco).

E vejam a força do Cristianismo: em meados do século IV (300), a festa teria sido absorvida pela comemoração do Natal, havendo uma continuidade na prática da troca presentes oriundas do festival.

Mas o que se tem certeza, e perdura até nossos dias, não são hipóteses, é que o cristianismo escolheu esta data, entre outras, porque Cristo é o sol da justiça.

No Seu modo muitas vezes estranho de Se revelar, Deus falou, pela boca de um profeta estrangeiro Balaão que vai profetizar a respeito de Jesus: "Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel" (Nm 24.17).

Mais tarde, o profeta Malaquias retomou a mesma promessa, falando dAquele que seria uma estrela (ou sol, que é, como sabemos, uma estrela) de justiça:
Mas para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão como bezerros soltos do curral.
(Ml 4:2)


Outros combatem a árvore de natal, dizendo-a vir do culto pagão às árvores. Mas a Bíblia se abre com um jardim, plantado pelo Senhor, no Éden, que, no meio do Jardim, fez nascer uma árvore especial:
O Senhor Deus fez nascer então do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento. E no meio do jardim estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. (Gn 2:9).

E a Bíblia, de maneira maravilhosa, mostra que estamos sendo conduzidos para um lugar maravilhoso novamente.
Se você se pergunta onde passará a eternidade? Como serão as coisas lá?
A resposta é: nosso Deus, preparou a nossa volta para o Jardim, que também tem uma árvore:

1 Então o anjo me mostrou o rio da água da vida que, claro como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro,
2 no meio da rua principal da cidade. De cada lado do rio estava a árvore da vida, que dá doze colheitas, dando fruto todos os meses. As folhas da árvore servem para a cura das nações.
3 Já não haverá maldição nenhuma. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão.
4 Eles verão a sua face, e o seu nome estará em suas testas.
5 Não haverá mais noite. Eles não precisarão de luz de candeia nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará; e eles reinarão para todo o sempre.
(Ap 22:1-5)

"Felizes os que lavam as suas vestes, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas.
(Ap 22:14)


A prática de enfeitar a árvore no Natal se consolidou na Alemanha e veio, principalmente de Lutero, que enfeitou uma árvore em seu quintal, para comemorar o natal.
As luzes e bolas coloridas apontam para Jesus, a luz do mundo (Jo 9.5).
A estrela, é porque ele é a “resplandecente estrela da manhã” (Ap 22.16). É também a estrela, que apontava o caminho até a manjedoura onde nasceu, vista pelos magos (Mt 2.2).
A estrela e as luzes servem para nos dar uma ideia de como ficou o céu naquele dia. Felizes foram os pastores, que guardavam as ovelhas na vigília da noite fria da Judéia quando são visitados pelo anjo do Senhor e pelos exércitos celestiais. (Lc 2:9-14).

Deus sempre se revela! E para quem?
Ao coração despretensioso. Ao que o busca por quem ele é, ao que se empenha em conhece-lo, como os magos. E daí que eram estrangeiros? Empenharam-se em buscar e o acharam!
Ele revela-se aos humildes, aos que enfrentavam as noites geladas, ao relento, numa das profissões mais desprezadas, aos pastores.
Ele revela-se ao insignificante, ao pecador, ao caído, ao afundado no vício, ao humilhado por ele mesmo será exaltado (Mt 23.12).
E por isso, as palavras de Jesus impactam e dão esperança:
Bem-aventurados os pobres em espírito [humildes], pois deles é o Reino dos céus. (Mt 5:3) 
 

2. Precisamos ler o nosso mundo pela Bíblia e não a Bíblia pelo mundo

A Bíblia é juíza e não ré! O mundo é que precisa se adequar à ela. Ela é o padrão.
O cristianismo e a Bíblia expressam as verdades de Deus na cultura existente.

Nós aplicamos o nome “Emanuel” a Jesus, mas o Emanuel de Isaías 7.14 é Ezequias, filho do rei Acaz, a quem o profeta se dirigiu. Tanto que em Isaías 8.8 o Emanuel está vivo e recebe uma mensagem de Isaías.

Os quatro títulos aplicados a Jesus, em Isaías 9.6 (“Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”) eram usados na sagração do novo Faraó, no Egito, época anterior ao profeta Isaías.
O profeta os aplicou a Jesus.
Ele é o Messias, mas Deus diz que Ciro é “seu ungido” (Is 45.1), em hebraico, messhyhu, “messias dele”. É como Deus vai chamar o rei ímpio, mas escolhido por ele.

A igreja nascente adaptou passagens do Antigo Testamento para firmar seus conceitos.
A “virgem” de Isaías 7.14 foi aplicada a Maria, em apoio ao nascimento virginal de Jesus. Mas é a esposa de Acaz, mãe de Ezequias, e o termo hebraico, almah, significa, primeiro “uma jovem na idade de se casar, uma donzela”. O termo foi entendido como “virgem” pelos tradutores da Bíblia Hebraica para a Bíblia Grega. Eles usaram parténos, “virgem”. Isto direcionou nossa leitura para este aspecto.

Mesmo que almah não signifique, primeiramente, “virgem” e se aplique, primeiramente, à esposa de Acaz, isto não invalida o nascimento virginal de Jesus. O Novo Testamento o afirma (Mt 1.18). 

Não é preciso negar tudo porque se descobriu um aspecto que não corresponde ao que pensávamos.

É insensatez jogar tudo fora por causa de uma parte. Meio entendimento é pior que entendimento algum. Principalmente se produz estabanamento intelectual. 
 

3. Então o que é o Natal? O quê celebrar?

Natal não é festa pagã. É a comemoração do nascimento de Jesus. Se a data não foi 25 de dezembro, isto não é nenhum problema.

Se olharmos para a páscoa, quando se comemora a morte de Cristo, cada ano cai num dia. Mas não invalida a morte vicária de Cristo. Quem pecar morrerá diz a Escritura (Ez 18.4). Deus não anulou sua palavra, providenciou um substituto: Jesus.

Não reinventamos nem redescobrimos o evangelho. Isto seria prejudicial.

Qualquer cristão sincero no dia 25 de dezembro, comemora “O nascimento de Jesus”. Na falta da data certa, ficou-se com esta. Qualquer outra suscitaria uma crítica de alguém. Deixemos a crítica de lado.

O erro não é comemorar o Natal de Jesus. O erro é trocá-lo por Papai Noel, apenas por presentes ou mesmo valorizar o ajuntamento das famílias.
O erro é olhar o aspecto apenas humano e sentimental da ocasião e esquecer o aspecto espiritual.

Neste Natal diferente não será preciso comprar roupa nova, mas vestir-se da novidade de vida que há em Cristo Jesus (Cl 3.10).

Celebremos um Natal que não seja um evento, um feriado oficial, uma data apenas no mês de dezembro. Nesta data em que tantos estão abertos à história natalina, convidemos estas pessoas, inclusive nossos parentes, a andarem com Deus dia a dia e com Ele construírem um relacionamento saudável para todos os meses do ano.

Celebremos um Natal comprometido com a proclamação do Evangelho, que não apenas promova beleza musical e entretenimento, mas que confronte os homens com o imperativo do arrependimento e da fé em Cristo.

Celebremos um Natal que não seja celebrado apenas para confraternização entre os homens, mas principalmente para confraternização dos homens com Deus.

O mesmo Deus que um dia nos julgará com justiça e lembrará da sua graça manifesta em Jesus, oferta viva para salvar pecadores e fazê-los diferentes do homem egoísta e sem Deus tão celebrado em nossos dias. 


Conclusão


Comemore o Natal. Comemore com gratidão a Deus. Louve-o por seu Filho, Jesus Cristo, nosso Salvador. E ignore as opiniões contrárias. Pura rabugice!

Natal é para lembrarmos que Deus se fez homem e habitou entre nós.

O Natal é a divindade fazendo o caminho inverso. É Deus vindo aos homens!
O Eterno entrou no tempo.
O infinito entrou no espaço.
O Santo veio aos pecadores.

O Natal é um convite a nos esvaziarmos da tentativa de viver sem Ele. Presenteie o aniversariante: dê a ele a sua vida.


A Deus toda a glória!


Carlos R. Silva


OBPC Joanópolis - SP
Domingo - 13/12/2015

E Começa a Adoração a Deus

Texto Bíblico
“Sete foi pai de um filho e o chamou de Enos. Foi nesse tempo que o nome O ETERNO começou a ser usado no culto de adoração a Deus”.
(Gn 4.26)

Introdução

Depois da morte de Abel, tudo indicava que só restariam os descendentes de Caim. Eram pessoas afastadas da presença do Senhor e sedentas de vingança (Gn 4.8.24).

Porém, Deus deu a Adão e Eva outro filho para ficar em lugar de Abel.
A história de Sete e seu filho Enos (Gn 4.26) é diferente: em vez de saírem da presença do Senhor, foram eles que começaram a usar o nome SENHOR no culto de adoração a Deus.

1. Começa a Adoração a Deus

Começa a adoração a YHWH, chamado de O ETERNO, na Linguagem de Hoje.
É uma boa interpretação para EU SOU.

Mais tarde relatará a Escritura:
“Porém Moisés disse: – Quando eu for falar com os israelitas e lhes disser: ‘O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês’, eles vão me perguntar: ‘Qual é o nome dele?’ Aí o que é que eu digo? Deus disse: -EU SOU QUEM SOU. E disse ainda: -Você dirá o seguinte: ‘EU SOU me enviou a vocês’”. (Ex 3.14-15).

A Linguagem de Hoje traduz por O ETERNO, pois a expressão pode significar EU SOU O QUE SOU, ESTOU SENDO O QUE SOU, SEREI O QUE SOU, com idéia de imutável, de eterno.

YHWH apareceu a Moisés, mas começou a ser cultuado com Sete. Aos patriarcas ele apareceu como “Todo-Poderoso”, El Shadday, mas como YHWH só se revelou a Moisés:
“Deus disse a Moisés: -Eu sou o Deus Eterno. Eu apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como o Deus Todo-Poderoso, porém não deixei que me conhecessem pelo meu nome de o Deus Eterno”. (Ex 6.2-3).

No tempo de Sete e Enos, era um dos nomes usados na adoração, mas só se tornou o nome por excelência no tempo de Moisés.

2. Estreita-se o Relacionamento com Deus

Em Enos, "O ETERNO começou a ser usado no culto de adoração a Deus”. O relacionamento, a partir de Moisés, foi mais intenso. “Conhecer” dá a ideia de um relacionamento profundo. Somente depois, com Moisés, é que Deus se relacionará nos termos do rico significado de seu nome com Israel.

Antes de aceitar a Cristo sabíamos quem ele era, mas só depois de aceitá-lo como nosso Senhor é que o relacionamento tornou-se mais profundo. Para nós, nomes podem significar pouca coisa, mas naquela cultura, nos termos em que se processa a revelação, significa muito.

3. Enos Recupera Abel

Enos é o novo Abel. Abel (hébel) significa “fumaça”. O sentido é de inconsistente, vazio, fraco. É o mesmo termo para “vaidade” em Eclesiastes 1.1. “Tudo é fumaça, tudo é inconsistente”, diz o sábio.

Enos (enosh) significa “homem”, com o sentido de frágil. O nome Abel mostra a fragilidade humana.

Depois de Enos vem a descrição da ação dos descendentes de Caim e violência de Lameque (Gn 4.23).
Os homens começam a se julgar fortes. Os descendentes de Caim e Lameque têm uma atividade humana febril, e sua violência aumenta.

Bem elucidativo! A arrogância humana é que leva a prescindir de Deus e à violência.

Infelizmente, quando deixadas para viverem por sua própria conta, as pessoas tendem a ficar piores.

Na família de Lameque, uma variedade de talentos e habilidades que Deus dá aos seres humanos. É nela que nascem os primeiros construtores de tendas, criadores de gado, músicos e mestres com o bronze e ferro (Gn 4.20-22).

Mas, na mesma família, o contínuo crescimento do pecado ao longo do tempo.

Definem-se dois grupos:
a. Os que demonstravam indiferença quanto ao pecado e ao mal;
b. Os que adoravam a Deus, os descendentes de Sete (Gn 4.26).

Sete assume o lugar de Abel como pai da linhagem que era fiel a Deus.
Enos recupera Abel.
Só quando o homem sente sua fragilidade, reconhece que é apenas fumaça que se desvanece, é que pode conhecer a Deus.

4. O Nome mais importante

Nós, os cristãos, também temos um NOME a adorar:
“Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é mais importante do que todos os outros nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas no céu, na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai” (Fp 2.9-11).


Conclusão

Deus aproxima-se e revela-se aos que o adoram.
Isso não é de hoje. Começou antes de Moisés, antes de Abraão, lá bem antes (há 4000 anos), com Sete, quando dele nasce Enos.
Para aqueles, Deus não se revelou completamente. Para Moisés foi conhecido pelo Seu Nome e com ele tratava face a face, como um amigo trata com outro amigo.
Mas foi para nós, os cristãos, que Deus excedeu de todas as formas: veio viver conosco, através de Jesus.
Jesus Cristo é O NOME (Ha Shem) dos cristãos.
É seu nome, nenhum outro. Nomes que não sejam o dele não podem ser entronizados na igreja.
Ele, Jesus, é O NOME para ser adorado.


A Deus toda a glória!


Carlos R. Silva


OBPC Joanópolis - SP
Quarta - 16/12/2015 - Pregações em Gênesis

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Marcado por Deus

E o Senhor colocou em Caim um sinal (Gn 4.15).

A maneira como Deus age sempre surpreende.
Nosso senso de juizo e de valores não concebe um Deus santo, para quem o pecado é abominação, mas, ao mesmo tempo, amoroso e bom.
Um pai que alerta, "o pecado está na porta, à sua espera. Ele quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo" (Gn4.7), mas que deixa ir.

Introdução
Já ouvimos especulações, como o de que a raça negra era maldita, pois Deus a amaldiçoara em Caim. Diziam que Deus pôs nele um sinal, que era a cor negra, e ele foi para a região da África. Por isso a África seria atrasada.
Muitos usaram esse ensinamento da "marca de Caim" como justificativa para o comércio africano de escravos e a discriminação contra as pessoas de pele preta/escura. Esta interpretação da marca de Caim é completamente antibíblica. 

A maldição sobre Caim em Gênesis capítulo 4 foi no próprio Caim. Nada é dito da maldição de Caim sendo passada aos seus descendentes.
É certo que a África enfrenta problemas econômicos. Que nada têm a ver com Caim. Nem ela é maldita por causa dele.

As raças descendem de Noé, e a povoação de toda a terra se dá após o dilúvio. Portanto, a linhagem de Caim foi encerrada pelo Dilúvio
“São essas as famílias dos filhos de Noé, nação por nação, de acordo com as várias linhas de descendentes. Depois do dilúvio todas as nações da terra descenderam de Noé”. (Gn10.32).

1. Que sinal foi este? 

A Bíblia não diz e o bom senso manda que calemos. Quando ela fala, nós falamos. Quando ela se cala, nós calamos.
A palavra hebraica usada (‘ôt) significa sinal, marca, prodígio, evento. O termo contempla categorias diferentes de uso. Aparece em Gênesis 1.14, quando o sol e a lua são sinais para marcar as estações do ano. Em Gênesis 9.13 e 17.11, onde o arco-íris e a circuncisão são “sinal” da aliança. É o termo para “sinal”, em Josué 4.6, para as pedras tiradas do Jordão. É usado para os sinais do Egito, figura de juízo.
Então o termo é muito amplo para se definir um sentido. Quando mais para receber uma caracterização tão radical, de estigmatizar uma raça.
Agora, o significado do sinal do Eterno em Caim, significa muito.

2. O Sinal aponta para a Proteção e Cuidado de Deus

O sinal não foi maldição, mas proteção. Quem encontrasse Caim não deveria matá-lo. E Deus também não o ameaçou com morte por causa de seu pecado.  Caim temeu que, sendo peregrino, fosse presa fácil para salteadores. 

Caim disse a Deus, o Senhor:
— Eu não vou poder aguentar esse castigo tão pesado. 
Hoje tu estás me expulsando desta terra. Terei de andar pelo mundo sempre fugindo e me escondendo da tua presença. E qualquer pessoa que me encontrar vai querer me matar. (Gn 4.13).

O que chama a atenção no episódio não é o castigo de Deus, mas seu cuidado para com um pecador. Deus já o punira: seria errante. Mas não competia a ninguém matá-lo, por qualquer motivo. 
Deus pode odiar o pecado e pode trazer juízo ao pecador, mas isso é atribuição sua.
Do que mais nos fala este sinal?

3. O Sinal aponta para a Santidade de Deus

Deus é santo. A santidade de Deus é o que o separa e distingue de todos os outros seres. A nós, criados à sua imagem e semelhança, este é um dos atributos dele, dos quais não compartilhamos.
A santidade de Deus encarna o mistério da Sua grandiosidade e nos faz olhar para Ele com assombro quando começamos a compreender um pouco da Sua majestade. 

Pensar e entender um pouco desta santidade deveria nos desmontar, como aconteceu com o profeta Isaías.

Em dois momentos a Bíblia apresenta a expressão "santo, santo, santo". Uma vez no Antigo Testamento (Is 6:3) e uma no Novo Testamento (Ap 4:8). Em ambos, a frase é falada ou cantada por criaturas celestiais e ambas as vezes ela ocorre na visão de um homem que foi transportado para o trono de Deus: o profeta Isaías e depois o apóstolo João.

Isaías testemunhou a santidade de Deus em Sua visão (Is 6). Apesar de Isaías ser um profeta de Deus e um homem justo, sua reação à visão da santidade de Deus  lhe trouxe profunda consciência dos seus próprios pecados e ele fica desesperado por sua vida (Is 6:5). 
É isto que sempre deveria causar o reconhecimento da presença de um Deus santo, majestoso, poderoso. Deveria nos desmontar.

Infelizmente, essa não é a realidade de boa parte dos adoradores!

Até mesmo os anjos, os serafins, na presença de Deus, aqueles que clamavam "Santo, Santo, Santo é o Senhor Todo-Poderoso", cobriram seus rostos com duas asas, cobriam os pés com outras duas e com duas voavam. 
Reverência, temor! Cobrir o rosto e os pés é desencadeado pela consciência da presença imediata de Deus. 

Foi bem assim que reagiu Moisés ao saber que estava na presença do Senhor, lá no monte Horebe, cobriu o rosto! (Êxodo 3:1-6). 

Os serafins tentavam esconder-se o máximo possível, em reconhecimento da sua indignidade na presença do Santo. 
Que lição!

A reverência mostrada a Deus pelos anjos deve nos lembrar de nossa própria presunção quando nos apressamos em Sua presença irreverentemente e impensadamente, como frequentemente fazemos porque não entendemos a Sua santidade. 

A visão de João do trono de Deus em Apocalipse 4 foi semelhante à de Isaías. Novamente, havia criaturas viventes ao redor do trono proclamando: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus Todo-Poderoso" (Ap 4:8), em reverência e temor ao Santo. 
João prossegue descrevendo estas criaturas dando glória, honra e reverência a Deus continuamente em torno do Seu trono. 

Curiosamente, a reação de João à visão de Deus em Seu trono é diferente da de Isaías. Não há registro de João caindo em terror e consciência do seu próprio estado pecaminoso.

Porque?

É aí que nós nos rendemos diante e reverenciamos a obra e pessoa bendita do Senhor Jesus Cristo. 
João já tinha encontrado o Cristo Ressurreto no começo da sua visão “Quando o vi, caí aos seus pés como morto. 
Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: “Não tenha medo.” (Ap 1:17). 
É por isso também que hoje, pecadores, insubmissos, errantes como nós, podemos nos aproximar do trono da graça se tivermos a mão de Cristo sobre nós na forma da sua justiça, a qual foi trocada pelo nosso pecado na cruz (2 Co 5:21). 

Deus é santo e não tolera o pecado. O episódio de Caim nos fala da santidade de Deus.  As obras de Caim eram más. 

Caim não cria na moralidade do mundo nem no governo de Deus. 
Há uma referência a isso no Novo Testamento: “Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou o próprio irmão. E por que o matou? Porque o que Caim fazia era mau, e o que o seu irmão fazia era bom”. (1João 3.12).

O pecador não tem como permanecer na presença de Deus. A expulsão de Caim mostra isso.
Com Adão e Eva aconteceu da mesma maneira:
Por isso o Senhor Deus expulsou o homem do jardim do Éden e fez com que ele cultivasse a terra da qual havia sido formado.
Deus expulsou o homem e no lado leste do jardim pôs os querubins e uma espada de fogo que dava voltas em todas as direções. Deus fez isso para que ninguém chegasse perto da árvore da vida. (Gn 3.23-24).

4. O Sinal fala da Graça

O sinal de Caim nos fala da graça: Deus ama e cuida do pecador. Ele se preocupa com a integridade do pecador. Haverá juízo, mas este compete a Deus, e não aos homens. 
Por pior que seja o pecado, Deus estende sua graça ao pecador. 

O ladrão arrependido na cruz prova isso. Pouco antes de morrer caiu em si, num rasgo de fé. Jesus lhe deu a gloriosa promessa de que ambos estariam juntos no paraíso, no mesmo dia.

Boa lembrança para nós. Alguns segmentos da igreja parecem odiar o pecador. Aliás, alguns segmentos da igreja devoram-se: parecem odiar a própria igreja. 

Não devemos amar o mundo moral, a Escritura diz “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai, não está nele.” (1Jo 2.15), mas devemos amar o mundo gente, o mundo pessoas. 
João refere-se à não ceder à cobiça da carne, à cobiça dos olhos e à ostentação de bens, produtos do mundo moralmente perdido. (1Jo 2.16).

Conclusão

Deus ama o mundo (Jo 3.16) e lhe deu um sinal, o maior de todos, para provar seu interesse por ele: a cruz de Jesus. 
A cruz é o grande sinal de que Deus se interessa pelos “Caims” de hoje, e deseja salvá-los. 
Deus não aceita seu comportamento, eles não podem viver na sua presença da forma como estão, mas ele se interessa pelos pecadores.
O sinal de Caim é proteção e não julgamento. 
É graça, não juízo. 
Assim é Deus. Gracioso com todos os pecadores. 
Assim deve ser a igreja: santa, mas manifestadora da graça de Deus ao pecador.


A Deus toda a Glória!

Carlos R. Silva
Dezembro 2015



Referências
• Bíblia Sagrada Almeida Revista e Corrigida, CPAD 
• Bíblia de Estudo NVI, Ed. Vida 
• Bíblia de Estudo NTLH, SBB
• Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD
• Pr. Isaltino G. C. Filho, Meditações em Gênesis
• Got Questions?org - Qual foi a marca que Deus colocou em Caim?
• Wikipédia, a enciclopédia livre - Caim


Mensagem Pregada em 09/11/2015 – OBPC Joanópolis

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Eu amo a Igreja


A igreja é fascinante.

Refletir sobre ela sempre me traz novos aspectos e me faz ver sua grandeza e beleza, e como somos abençoados em fazer parte dela. Que honra ser igreja de Jesus!

Igreja não é apenas um lugar aonde ir, muitas vezes porque não se tinha opção mais interessante.
Tão pouco, é lugar para se ir somente quando se esgotaram os recursos.

Igreja não é instituição, nem organização, nem lugar.
Igreja é gente, é organismo vivo, é corpo e Corpo de Cristo.

Já vi, e já fiz isso, cobrar da igreja o que eu mesmo não sou. É um paradoxo (ou hipocrisia?).
Se pertenço à igreja e falo mal dela, falo mal de mim mesmo!
Nunca vi um crente piedoso, engajado e equilibrado, combater a igreja.

Os críticos da igreja são críticos do corpo de Cristo.
Corremos o risco de uma visão de cristianismo muito pessoal, para a qual queremos adesão.
Não a recebendo, ocorre-nos pensar que todos estão errados.
Nesse afã, nos portamos como autoritários e não sabemos ser voto vencido.

Há o perigo de não aceitarmos ser conduzidos.
Podemos nos pegar cobrando de outros o que não temos nem damos: perfeição moral, amor e absoluta integridade espiritual.

A postura dos críticos da igreja é estranha: a igreja são os outros. Eles se autoexcluem ao combatê-la.
Para isto, ela já tem Satanás!
A Igreja precisa de amantes, não de apedrejadores.

A igreja é um grupo de pessoas que provou a graça de Deus em Jesus, creu nele, comprometeu-se com ele e o segue.
Não é perfeita. Deus não terminou sua obra em nós.
Temos falhas e somos imperfeitos. E precisamos uns dos outros. Para nos apoiarmos, para orar uns pelos outros.

Costumo meditar numa frase, que provoca um impacto, mas é expressão da verdade de cada um de nós: "Se você procura uma igreja perfeita, quando a encontrar, não entre nela para não estragá-la".

Mas se, apesar das dificuldades e oposição, reconhecemos que o Corpo de Cristo é feito por gente como eu e você, com suas limitações e imperfeições, com caráter que precisa ser talhado, então seu lugar é aqui.

Não existe cristianismo privado. O cristianismo exige compartilhamento e mutualidade:
“Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10.25-26).

A igreja é um grupo de pessoas com suas vidas interligadas em Cristo, procurando viver em solidariedade e apoio espiritual.

E sobre essa sede por transformação (nos outros)?
Martin Luther King Jr. disse que “Se você deseja mudar alguém, deve amá-lo”!
Quem quer mudar a igreja por ela não corresponder às suas expectativas (presumindo que todos os demais estão errados), deve lembrar-se disso.

Cristo, o Senhor da Igreja diz:
"Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam;" (Mt 7:12).
Ame a igreja. Cristo nos amou e nos mudou.

Faça assim: ame a sua igreja, ponha o ombro em baixo da carga e lute com ela.
Dessa forma, não há como não experimentar mudanças!


A Deus toda a glória!


Carlos R. Silva
Dezembro 2015



Inserções e adaptações de artigo:
Pr. Isaltino G. C. Filho, Igreja um Caso de Amor

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Quão Longe de Deus se Pode Ir?

Então levaram-lhe um endemoninhado que era cego e mudo, e Jesus o curou, de modo que ele pôde falar e ver.
Todo o povo ficou atônito e disse: "Não será este o Filho de Davi? "
Mas quando os fariseus ouviram isso, disseram: "É somente por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa demônios".
Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: "Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.
Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, então, subsistirá seu reino?
E se eu expulso demônios por Belzebu, por quem os expulsam os filhos de vocês? Por isso, eles mesmos serão juízes sobre vocês.
Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus.
"Ou como alguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali seus bens, sem antes amarrá-lo? Só então poderá roubar a casa dele.
"Aquele que não está comigo, está contra mim; e aquele que comigo não ajunta, espalha.
Por esse motivo eu lhes digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.
Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na era que há de vir.
(Mateus 12:22-32)


É possível resistir tanto à Deus, a ponto de não ter como vir à ele?
É possível resistir tanto à Deus, a ponto de não ter como voltar para ele?
É possível resistir tanto à Deus, a ponto de não ser aceito por ele?
Quão longe podemos ir em nossa obstinação, acreditando que temos o controle das nossas vidas, do nosso destino e negligenciar o convite do Senhor?

1. A mente obstinada estreita a visão

Até os magos, vindos de outras terras, entenderam, e seus estudos lhes permitiram concluir que o rei dos judeus havia nascido. (Mt 2.1,2). Só eles, não perceberam.

A fixação por um rei que restaurasse o trono de Israel, um novo Davi, e a falta de sensibilidade para com as Escrituras, não lhes permitia ver que o verdadeiro rei dos Judeus já estava entre eles.
Visão estreitada! Ela é um perigo em qualquer área da vida, principalmente na espiritual.

2. A visão estreitada produz absurdos

Os exorcistas normalmente invocavam um espírito mais poderoso para livrarem-se de um de menor poder. E a acusação dos oponentes de Jesus é a de que ele usava a magia apoiado em Satanás. (Mt 12.24).
Isso foi tão forte que, no século II, quase 200 anos depois, os rabinos ainda acusavam Jesus e os judeus cristãos de fazerem uso da feitiçaria.

Os mestres, ofendidos, estão agora na ofensiva. E, em seus corações, já planejavam mata-lo. (Mt 12.14).
Belzebu era um título aplicado no antigo judaísmo a Satanás.
A visão deles não era clara, estava comprometida pelo ódio. E a pessoa neste estado, faz e fala absurdos.

Quantas vezes se diz, ou se faz coisas absurdas, por que nosso senso de juízo, que não é lá grande coisa, segundo Isaías (Is 64.6), está comprometido pelo ódio, pela inveja, pelo egoísmo, pela malícia, pela ira e, enfim, por todas aquelas ervas daninhas chamadas, pelo apóstolo Paulo, de obras da carne (Gl 5.19).

É bom lembrar de que “que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.” (Gl 5:21).

É chocante! Não herdarão porque ainda não nasceram de novo, não foram regenerados pelo Espírito Santo, não têm o coração transformado, não se converteram ao Evangelho.

Se esta trasnformação ainda não aconteceu, deveríamos parar aqui, e, humilhados, rosto em terra, clamar aos pés de Jesus, nos redermos a ele, deixar que ele se torne senhor das nossas vidas e experimentar o novo nascimento através do Espírito Santo!

3. Jesus invade a casa de Satanás

Jesus não nega que existiam outros exorcistas. Os fariseus também expulsavam demônios. E usavam métodos que pareciam mais com magia do que os métodos de Jesus.

No bom estilo dos tradicionais mestres judeus, que era a réplica rápida e engenhosa, Jesus passa a lhes afirmar que um reino, uma cidade ou uma família dividida contra si mesmo arruinará. Se todos não “falarem a mesma língua”, se os objetivos não forem comuns, se uns quiserem aparecer mais do que outros, a ruina é certa. (Mt 12.25).

E isso é uma verdade incontestável à nossa vida como indivíduos, famílias, igreja.

Como anda a coesão da nossa igreja? Temos todos falado a mesma língua? Temos defendido a causa nobre e santa do evangelho por onde andamos?

É claro que a igreja é do Senhor Jesus, mas ela é os seus membros!

Se Satanás estivesse divido como poderia seu reino permanecer? É uma incoerência! (Mt 12.26).

E o que dizer dos demais, muitos dos quais eram fariseus, que também expulsavam demônios? Por quem então estariam expulsando? Estariam todos no mesmo barco, eram filhos de Belzebu também! (Mt 12.27).

Será que um demônio batendo em retirada, expulso, chamando atenção para outro servo de Satanás, seria apenas uma retirada estratégica?

E o que dizer da multidão de pessoas que vinham sendo libertas todos os dias?
É evidente que isto era uma clara derrota de Satanás. Jesus invadiu a casa de Satanás!

O Reino de Deus havia estava implantado, o verdadeiro Rei estava entre eles. O Espirito do Senhor, o mesmo que operava através dos profetas, e que eles já não viam mais há 400 anos, estava novamente agindo. (Mt 12.28).

Ao citar Isaías:
“Eis o meu servo, a quem escolhi, o meu amado, em quem tenho prazer. Porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará justiça às nações.” (Mt 12:18 ).
Mateus está apontando e reivindicando que Jesus é o Messias.

A derrota de Satanás era um fato, não teria como saquear sua casa, ou seja, arrancar de lá as almas acorrentadas, o homem perdido, sem antes amarrar o dono da casa. É assim que se faz com o valente, não se entra no seu domínio sem amarrá-lo, sem dominá-lo. (Mt 12.29).

Jesus começou a derrotar o homem forte lá no deserto, quando foi tentado por ele. (Mt 4.1,11).

Em outra ocasião, numa sinagoga, ordenou ao demônio que saísse de um homem, “Cala-te, sai dele” (Mc 1.25) e num grito o demônio saiu.

Em Gadara, ele se deparou com uma legião de demônios, bastou sua presença para que os demônios entrassem em pânico. E como o temeram! Pois sabiam que a hora deles chegara. Nem precisou da ordem, bastou um “Ide” (Mt 8.32), para que se retirassem.

Após expulsar o demônio de um mudo, este voltou a falar e “a multidão se maravilhou, dizendo: nunca tal se viu isso em Israel” (Mt 9.33).

Jesus invadiu a casa de Satanás!

4. Não há como ficar em cima do muro

“Uma pessoa ou está de um lado ou está de outro”, diziam os mestres judeus. Jesus usa esta sabedoria e afirma mais, quem não ajuda atrapalha. (Mt 12.30).

A lealdade dividida é um perigo. Um homem não pode permanecer neutro em relação a Cristo. Ou está do lado dele, ou é contra ele.

Isso é sério, se não estiver fazendo nada, estou trabalhando contra!
Não cabe aqui o “não ajuda, e nem atrapalha”. Atrapalha sim!

Quem não é por ele, não testifica dele, não fala dele, não o recomenda a outros. Então atrapalha!
Atrapalha a obra do Espírito no coração do outro, pois será necessário um tempo maior para que a resistência seja quebrada.

5. Quão longe de Deus se pode chegar?

Blasfêmia pode ser geralmente definido como “irreverência desafiante”.
Blasfêmia é atribuída a pecados como amaldiçoar a Deus, ou, propositadamente, degradar coisas relativas a Deus. Também o é atribuir mal a Deus, ou negar atribuir a ele algum bem devido.

Este caso de blasfêmia, entretanto, é específico, chamado de “Blasfêmia contra o Espírito Santo”.

John Wesley e Adam Clarke também sustentam a opinião de que é “pecado imperdoável” atribuir a Satanás uma obra que é do Espírito Santo.

A blasfêmia contra o Espírito, que nunca será perdoada, é atribuir ao poder do diabo esses milagres que Cristo realizou pelo poder do Espírito Santo.

O Espírito Santo é o único que revela Cristo e o significado de sua obra por nós. Ele é a oferta, o sacrifício santo oferecido a Deus em nosso favor.

A blasfêmia contra o Espírito é uma rejeição escarnecedora do Espírito, como o único Revelador da obra realizada por Deus em nosso favor a santa propiciação.

Se diz que não há como haver blasfêmia do Espírito hoje.
Nisto, ainda dependo extremamente da misericórdia de Deus!
Minha oração, e oro por vocês também, é para que nos ajude a nos guardar, a ser perseverantes. Que nos ajude a não nos afastarmos dele, a não ir muito longe, nunca!
Descobri que isso, só Deus torna possível, que não é mérito nosso.

Quão longe se pode ir de Deus?
Há um estado de existência imperdoável: o estado de incredulidade. Não há perdão para alguém que morre em incredulidade.
A contínua rejeição às exortações para crer em Jesus Cristo pode se constitiur na blasfêmia imperdoável.

Alguns dirão que, neste caso, a pessoa não é um eleito e predestinado. Mas quem são?
Deus em seu eterno e soberano Conselho sabe.

Lembre-se do que foi dito em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

A única condição na qual alguém não pode ter perdão é se esse alguém não estiver entre “todo aquele que nele crê”.

Conclusão

Quão longe de Deus se pode chegar?
É possível ir tão longe de Deus que não se pode retornar?

Paulo adverte sobre consciências insensíveis, ou cauterizadas (1 Tm 4:2).

Hebreus fala de corações endurecidos (Hb 3) e daqueles que não podem ser trazidos de volta ao arrependimento (Hb 6).

João fala daqueles cujos pecados levam à morte, uma vez que eles se recusam a se arrependerem e a confessá-los (1 Jo 5:16-17).

O próprio Jesus fala do coração que é como o solo que foi pisoteado e compactado ao ponto em que nenhuma semente pode germinar (Lc 8:5).

Cada passo que damos afastando-nos de Deus aproxima-nos do ponto sem retorno.

Podemos perder o poder moral para mudar e voltar ao Senhor.

O problema, naturalmente, não está na vontade de Deus de perdoar o pecador (Lc 15; 2 Pe 3:9). Deus alegremente aceita e perdoa a todos que se arrependem.

"O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se." (2 Pe 3:9).

O problema está em que alguns rejeitam todas as tentativas de Deus para que se arrependam.

Depois que Jesus deixou a terra, o Espírito Santo veio para revelar a mensagem final da salvação. Para aqueles que a recusam e se voltam contra o Espírito Santo, Deus não tem nenhum outro plano. Não há outro sacrifício pelo pecado (Hb 10:26-31).

Aqueles cujo estado endurecido faz com que recusem, muitas vezes escarnecendo, o convite final de Deus, nunca serão perdoados.

Esta é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Com muito temor afirmo isto.

Queira Deus conceder-nos corações tenros para prontamente responder à sua palavra.

É aqui que vejo o papel do pregador, do evangelista e, na verdade de todo o cristão, nascido de novo:
"Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina." (2 Tm 4:2).

Feito isto, o trabalho será todo de Deus, pois o evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16).

O que fazer? "Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião". (Hb 3:15).
"Arrependam-se" (At 2.38).