quinta-feira, 10 de março de 2016

A Graça de Reaver o Que Se Perdeu


Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. (Lucas 19:10)


A narração de Lucas, no capítulo 19, fala de alguém que, em algum momento da caminhada, se perdeu. Mas da mesma forma, em algum momento, aconteceu uma transformação que agora no seu interior provocou “sede de justiça”, de fazer o que é certo. Este é um dos sinais do Reino de Deus implantado na pessoa.

Zaqueu agora, reparte e, se houver dano há alguém, repõe 400%. Quatro vezes mais!

A passagem mostra Jesus sendo o motivador, o catalisador, do processo de recuperação de uma vida.

Todos nós perdemos alguma coisa de vez em quando. Algumas delas têm muito valor. Por vezes, não sabemos onde as deixamos nem onde procura-las. E elas nos fazem muita falta. Bem que gostaríamos de reavê-las.

Há exemplos dramáticos de perdas significativas na história bíblica. Por exemplo, a derrota do poderoso rei da Babilônia. De uma hora para outra ele zerou. Seu esplendor, sua majestade e sua soberba foram derrubados e lançados na cova, no além, no abismo mais profundo. Todos os que estavam no mundo dos mortos disseram-lhe:

“Todos eles dirão ao rei: “Você também perdeu as forças! Agora você é igual a nós!” (Is 14.10, NTLH).
“Agora você não é nada, como nós! Sinta-se em casa conosco, os mortos!” (Is 14.10, AM).

1. O Que Perdemos?

Se pararmos um pouco para fazer uma relação de valores ou coisas perdidas em diferentes áreas das nossas vidas ao longo dos últimos anos, chega a nos surpreender.

Na área física, alguns de nós perdemos a saúde, o vigor, a disposição, a audição, a visão, a memória, algum órgão do corpo ou parte dele.

Na área emocional, alguns de nós perdemos a vontade e a alegria de viver, a autoestima, a sensação de segurança, a paz interior, o entusiasmo pela vida.

Na área comportamental, alguns de nós perdemos a inocência, o escrúpulo, o juízo, o caráter, a vergonha, a pureza, o bom nome.

Na área profissional, alguns perderam a promoção, as oportunidades, os ganhos, a capacidade de trabalhar, os prêmios e, até mesmo, o emprego.

Na área transcendental, ou espiritual, e isto é bem mais sério, alguns de nós perdemos o hábito de ler a Bíblia, de orar, o costume de participar do culto, a sensibilidade, o caminho da fé, o discernimento espiritual, a comunhão com Deus, as certezas, as convicções, a esperança da ressurreição, o temor do Senhor, a vontade de andar no Espírito e não na carne, o ardor missionário, o prazer de contribuir, a comunhão congregacional.

2. Recuperando o Que Perdemos

De fato, há coisas irremediavelmente perdidas e há coisas que podem ser achadas, recuperadas. Destas, algumas podem ser recuperadas logo, sem perda de tempo. Outras podem ser recuperadas mas a um longo, longo prazo.

Mas há aquelas coisas que, pela soberania de Deus e por sua maravilhosa graça, podem ser surpreendentemente reavidas, sem deixar de lado, é claro, o querer e a persistência daqueles que buscam.

Jesus nos ensina a valorizar e a buscar até achar as coisas perdidas. E ele faz isso por meio de três parábolas: a da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho perdido. Elas estão em Lucas 15.4-ss.

Na primeira, um pastor tem cem ovelhas e uma delas se perde (1%).

Na segunda, uma mulher tem dez moedas e uma se perde (10%).

Na última, um pai tem dois filhos e um se perde (50%).

Duas das três coisas perdidas são encontradas depois de uma incansável busca, a ovelha e a moeda. A terceira é encontrada depois de uma grande espera. 

O pai não foi atrás do filho porque ele não era coisa nem animal, mas gente, que precisa voltar por vontade própria.

Em cada caso, há uma festa de arromba, isto é, um culto de ação de graças, porque os três que estavam perdidos foram achados.

É o que faz o homem ao encontrar a ovelha:

E quando a encontra, coloca-a alegremente sobre os ombros
e vai para casa. Ao chegar, reúne seus amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida’.
(Lucas 15:5,6)


A mulher ao encontrar a moeda:
E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida’.
(Lucas 15:9)


E o pai, que nem deixa o filho terminar o discurso ensaiado diz:
Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar.
(Lucas 15:23)


Cabe lembrarmos a orientação dada por Jesus sobre o buscar o que se perde. No Sermão do Monte, ele declara: “Procurem e vocês acharão” (Mt 7.7). Pode muito bem referir-se à “coisa perdida”.

Esta recomendação está no meio de duas outras: “Peçam e vocês receberão” e também “Batam e a porta será aberta” (Mt 7.7).

Conclusão

É possível recuperar o que se perdeu, ser restaurado.

Peça, busque e bata à porta, "como se tudo dependesse de Deus". E saia em busca da coisa perdida “como se tudo dependesse de você”.

Numa adaptação das palavras do pastor metodista, William Edwin Sangster, lá por 1959:
“Geralmente, nós nos pegamos pedindo coisas que só podem vir através do trabalho, e trabalhamos por coisas que só virão por meio da oração.”

E agora, uma idéia que venho amadurecendo ao longo tempo:
“Você nunca saberá que Deus é tudo o que você precisa até que Ele seja tudo o que você tem.”

Que Deus nos ajude a fazer, como se fosse nossa, a oração do Salmo 16:
Protege-me, ó Deus, pois em ti me refugio.
Ao Senhor declaro: "Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti".
(Salmos 16:1,2)

A Deus toda a glória!

Carlos R. Silva
Março 2016

Referências:
·         Bíblia Sagrada Almeida Revista e Corrigida, CPAD
·         Bíblia de Estudo NVI, Ed. Vida
·         Bíblia de Estudo NTLH, SBB
·         Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD
·         Revista Ultimato, 359

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Este ano vai ser bom

Se tiver que desejar algo para o novo ano, que seja aspirar um relacionamento mais profundo com o Senhor.
O desejo sincero de experimentar o seu auxílio, sua companhia confortadora em meio às tempestades e respostas às orações, mesmo às mais singelas.
Que as palavras que repetimos, muitas vezes de forma mecânica, possam fazer todo o sentido: "O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará." (Sl 23.1).

O grande e único Deus é o meu pastor!
Não há nada nem ninguem maior do que Deus, e é dele que precisamos para o novo ano.
É nele que precisamos depositar nossa confiança.
O rei Davi, autor do salmo, cuidou das ovelhas de sua família antes de ser ungido rei sobre Israel.
Portando, sabia exatamente o que isto exigia: atenção, proteção, provisão.
É o pastor que providencia verdes pastagens, protege contra os lobos, trata, e cura.
De maneira análoga, Deus, o nosso pastor, supre nossas necessidades, trata-nos, cura-nos, orienta-nos.
Primeiro dia do ano é uma boa oportunidade para almejar experimentar Deus de fato e não apenas pelo que dele se diz, através da experiência dos outros, nem como algo bom que fica apenas na receita.
Se ainda não o fez, é uma excelente oportunidade para conhecer a Cristo, o bom pastor, que deu sua vida pelas suas ovelhas.
Ele, Jesus, é mais do que superstição, é mais do que uma cor a ser usada na passagem de ano, mais do que pular ondas na praia.
É uma pessoa histórica, que viveu no tempo e no espaço, que dividiu a história, que mudou o mundo, é o Deus que veio habitar conosco e tem poder para salvar a todo o que vem a ele.
Talvez, seja a hora apropriada de deixar de lado ilusões, prazeres passageiros, falsos deuses e tudo o que retarda a atenção e entrega ao Deus verdadeiro.
Sua busca termina em Jesus, termina em Deus.
Entregue a vida a ele, siga seus ensinos e experimente a vida diferente quando ele está no comando, quando você ouve a sua voz, a despeito de qualquer outra por melhor ou mais interessante que seja.
Esse ano tem tudo para ser muito bom, depende só de querermos.

A Deus toda a glória!

Carlos R. Silva

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

É Natal

"Paz na terra!" foi a alegre mensagem das multidões de anjos aos pastores quando Jesus nasceu.
Essa paz prometida foi uma expressão da boa vontade de Deus para com os homens.
É a expressão do desejo de um pai amoroso e bom, que apesar de nós, nos amou sem reservas.
Agradecemos todos os dias a Deus por Jesus, que trouxe paz aos nossos corações, pela Sua mensagem e por nos dar o Espírito da paz.
Só a paz de Deus, que está além do entendimento (Fp 4.7), consegue nos acalmar e direcionar em meio a este mundo inquieto.
É dessa paz que falaram as multidões de anjos que apareceram aos pastores naquela noite. Noite de Natal.
Depende de nós, homens, nos apropriarmos dessa oferta de Deus, de valorizarmos esse grandioso gesto de boa vontade de Deus para conosco, e permitirmos que a paz anunciada no Natal se torne realidade em nossas vidas.
Por isso, o tempo de Natal também é um tempo de reflexão, um tempo de voltarmos para Deus!
Nossa esperança não está depositada no progresso ofuscante e sedutor deste mundo. Nossa esperança está colocada unicamente em Deus.
Esperemos em Deus.
Nos apropriemos dessa boa vontade, para que se tornem verdade em nós as palavras de Cristo: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João 14.27).
É assim que, em meio a este mundo agitado, poderemos ter a paz que ninguém conseguirá nos tomar!

É Natal!
No Natal nos lembramos de que uma das marcas do que traz a Jesus no coração é paz, fruto do Espírito.
Neste dia reforcemos a esperança, demo-nos votos de confiança, desarmemo-nos e demos lugar ao Príncipe da Paz.
Num bebê, a esperança de um mundo melhor, de vida abundante, de retorno à Deus, de vida eterna.
Celebremos Jesus!
Celebremos o Natal de Jesus!
O Natal é ele, Jesus!
Feliz Natal com paz!
Feliz Natal com Jesus!

Carlos R. Silva 
Natal 2015

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O Redentor Vive

"Eu sei que o meu redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra." (Jó 19.25).

Às vésperas de um novo ano, é tempo de parar, refletir, reconsiderar, planejar.
Ouve-se de que não há o que comemorar.
Discordo, há sim, e muito.
É na adversidade, quando nem tudo vai bem, que nos voltamos para os valores eternos.
Nos damos conta de onde estamos entesourando.
Não por acaso, descobrimos que a maior parte do que prezamos é consumível. Traça, ferrugem e os salteadores se encarregarão deles.

Viver em Deus é saber que até nas adversidades Deus está construindo algo novo em nós.
Todo dia ele nos ensina e, ele mesmo, determina os meios.
O barro, nós mesmos, não tem autonomia sobre si mesmo. É o oleiro quem determina e molda o barro segundo a sua vontade.

Jó, eleva sua esperança às alturas, ao Eterno. Ergue os olhos e levanta a cabeça mesmo diante da aparente derrota ao seu redor, nele mesmo.
Acusado pelos amigos. Desesperado por pensar que Deus estava contra ele. Angustiado e sentindo-se em total abandono. Perdeu tudo o que é perecível: bens, filhos, amigos e saúde.
Apesar disso tudo, ele ainda é um homem esperançoso no Senhor.

Eis um exemplo de como Deus pode renovar a vida mediante as palavras e confissões que fazemos, pois elas determinam a nossa fé e esperança no Senhor.

A confissão pessoal a Deus é poderosa, não em si, mas por causa de Deus, da sua reação em nossa direção.
Deus ouve!
Por isso, dirá o salmista "Eu amo ao Senhor, porque ele me ouviu quando lhe fiz a minha súplica" (Sl 116.1).

Podemos sim continuar continuar confiando em Deus, e como Jó aguardar o seu favor e a sua graça sobre nós.

Podemos sim comemorar vitória, não por conquistas materiais, mas sobre o medo, a incerteza, sobre nós mesmos, sobre a morte.

Eis aí a verdadeira vitória do cristão.

"E depois que o meu corpo estiver destruído e sem carne, verei a Deus. Eu o verei com os meus próprios olhos; eu mesmo, e não outro! Como anseia no meu peito o coração!" (Jó 19.26,27).

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Quando Deus Fala

Eles foram depressa, e encontraram Maria e José, e viram o menino deitado na manjedoura.
Então contaram o que os anjos tinham dito a respeito dele.
Todos os que ouviram o que os pastores disseram ficaram muito admirados.
Maria guardava todas essas coisas no seu coração e pensava muito nelas.
(Lc 2.16-19)


Para uma moça saindo da adolescência, certamente o que tinha acontecido era estranho demais, porém grandioso, era forte demais, porém maravilhoso!
E é isso que Maria expressa no seu cântico a Deus, quando tem a sua fé fortalecida pela prima Isabel:

“Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva.De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 
pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor; santo é o seu nome. (Lc 1.46-49).

Será que já vimos adoração assim, como a que essas palavras expressam?

Aliás, será que, algum dia já adoramos a Deus com tal compreensão e expressada por palavras como estas?

1. Deus fala de diversas formas e meios

Deus fala!
Se olharmos atentamente para a Bíblia, veremos que Deus constantemente toma iniciativas para comunicar-se conosco. E são interessantes os métodos meios que ele usa. Anjos, sonhos, uma jumenta, arbustos queimando mas sem se consumir, uma coluna de fogo, um dedo escrevendo na parede, e tantas outras formas mais.
E aqui, no anúncio do nascimento do Salvador, ele usa os anjos novamente.
E como Deus é cuidadoso! De maneira progressiva ele trata dos pastores. Primeiro ele envia um anjo, que quebra o silêncio das vigílias da noite, apresenta-se, cercado pela glória do Senhor:

Então um anjo do Senhor apareceu, e a luz gloriosa do Senhor brilhou por cima dos pastores. Eles ficaram com muito medo, (Lc 2.9).

Depois de já tranquilos e tendo entendido o que estava acontecendo Deus envia-lhes toda a hoste de anjos.

No mesmo instante apareceu junto com o anjo uma multidão de outros anjos, como se fosse um exército celestial. Eles cantavam hinos de louvor a Deus, dizendo:
— Glória a Deus nas maiores alturas do céu!
E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem! (Lc 2.13-14).

E hoje, a nós, como Deus comunica-se conosco? Que sinais ele usa?
Deus fala ao nosso coração através da pessoa de Jesus.
Conforme o escritor aos Hebreus:

Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas,
mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. (Hb 1:1,2).

2. Deus fala ao Humilde, ao Atento, ao Quebrantado

De acordo com o profeta Isaías, Jesus é o Ungido do Senhor para pregar boas-novas ao quebrantado, para proclamar libertação aos cativos. (Is 61.1-3).
Certamente, está em harmonia com esse espírito, que a primeira proclamação do nascimento do Messias fosse feita a pobres e oprimidos pastores.
Tratava-se de uma classe desprezada. Em sua ocupação, chegavam a ficar meses longe de casa, da família. Isso tornava difícil observar todas as regras da lei mosaica - e especialmente as regras de autoria humana que lhes foram acrescentadas!
Adicionalmente, eram também acusados de conduta duvidosa no cuidado dos rebanhos que lhes eram confiados.
Por essas razões, eram desprezados e excluídos da companhia da maioria das pessoas. Ou ainda, eram excluídos do convívio com as “pessoas de bem”.
No entanto, a narrativa de Lucas deixa claro que esses pastores, a quem pela primeira vez foi feita a proclamação do nascimento do Salvador, eram diferentes. Eram homens devotos, provavelmente conhecedores da profecia messiânica e, como Simeão, “esperavam a consolação de Israel” (2.25). Note como o anjo dirigiu-se a eles:

mas o anjo disse:
— Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo!
Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês — o Messias, o Senhor!
Esta será a prova: vocês encontrarão uma criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura. (Lc 2.10-12).

E note também sua reação exemplar:

Quando os anjos voltaram para o céu, os pastores disseram uns aos outros:
— Vamos até Belém para ver o que aconteceu; vamos ver aquilo que o Senhor nos contou. (Lc 2.15).
Quando encontraram Maria e José “contaram o que os anjos tinham dito a respeito dele.” (Lc 2.17).
Então os pastores voltaram para os campos, cantando hinos de louvor a Deus pelo que tinham ouvido e visto. (Lc 2.20).

E aí nos perguntamos: Por quê, frequentemente as pessoas que têm o acesso dificultado, condições precárias e outros agravantes são, geralmente, as mais fiéis?
O que tem acontecido com a Igreja?
O que aconteceu com a nossa adoração?
Será que a notícia a respeito do Salvador ainda causa-nos impacto, ainda nos enche de júbilo, ainda nos faz desejar a presença do Senhor acima de qualquer coisa?
Até que ponto Jesus é maravilhoso para nós? Será que é maravilhoso a ponto de não ser possível evitarmos partilhar essa alegria com todos ao nosso redor?
A ponto de ele ser o principal assunto das nossas conversas?
A ponto de ele ser a nossa principal ocupação, onde gastamos a maior parte do nosso tempo?

3. O Nascimento de Jesus é Uma Notícia para ser Ouvida e Guardada com Zelo

Todos os que ouviram o que os pastores disseram ficaram muito admirados.
Maria guardava todas essas coisas no seu coração e pensava muito nelas. (Lc 2.18-19).

Maria poderia ter perdido o eixo, se deslumbrado. Ela poderia ter-se descontrolado pela emoção dos acontecimentos, mas manteve-se firme e consciente de sua dependência de Deus.
A mãe do Salvador nem tinha ideia do quanto mais aconteceria à sua vida e à do filho, fruto do seu ventre. Não sabia o que aconteceria de bom, nem o que a faria sofrer.
Ela teve a serenidade de tudo observar e guardar no coração.
Agasalhava dentro de si as maravilhas contadas pelos pastores.
Aquele nascimento que mudaria a história do mundo inteiro. Mas não era suficiente apenas ouvir sobre os propósitos de Deus a respeito dele.
A atitude de Maria fica bem clara quando lemos numa outra versão da Bíblia:

Maria, porém, entesourava todas as coisas, ponderando sobre elas em sua mente. (Lc 2.19).

Entesourar não é somente ouvir. Ponderar, não é somente ouvir!
Era preciso guardar a mensagem no coração, pois os mistérios de Deus são maravilhosos e profundos demais para passarem somente pelos ouvidos.

4. Não Basta Apenas Ouvir

A razão pela qual muitas vezes a Palavra de Deus não frutifica em nós e não muda o nosso modo de viver é que nós apenas ouvimos.
Ficamos animados, eufóricos, empolgados, mas é bem verdade também que o efeito logo passa.
Hoje o Senhor está falando conosco. Certamente ele está falando.
Não desperdicemos as preciosidades que o Senhor está nos revelando deixando que a notícia entre por um ouvido e saia pelo outro.
Não somente ouvir, não somente se maravilhar, não somente se empolgar: é necessário degustar e digerir tudo o que o Senhor nos diz, para depois colocá-lo em prática.
Guardemos tudo no coração. Com o auxílio do Espírito Santo passaremos então a entender que grandes coisas o Pai nos reservou.
Nem tudo o que o Senhor nos diz compreendemos de imediato.
É necessário sair da superficialidade, meditar com cuidado, sem pressa, com reverência e gratidão.
Só assim as verdades do Evangelho, recebido com esse maravilhoso presente chamado Jesus, passarão a ser nosso estilo de vida.

É isso que Tiago certamente deseja quando diz “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. (Tg 1:22).

É disso que Jesus está falando quando diz:
Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. (Mt 7:24,25).

Conclusão

Para terem valor, os tesouros que o Senhor nos transmite precisam ser guardados, manuseados e aplicados em nossa vida.
Sobre isso, Jesus mais tarde dirá apropriadamente:

"Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada. (Jo 14:23).

Que o Natal represente mais do que presentear: aceitemos o verdadeiro presente Jesus Cristo, expressão da graça e do amor de Deus por todos nós.
Que o Natal seja representado por encontros sim, mas principalmente que nos lembre de reencontrarmos, se for preciso, a fé em Cristo, que para nós é certeza de vida e vida em abundância.
Celebremos o Natal, mas sem esquecer do aniversariante: Jesus Cristo. Que tal o presentearmos agora, dando-lhe nossa vida, nosso coração?