segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A base do ministério é o caráter

O perigo de uma vida dupla

A mídia tem sido especialmente dura com pessoas no ministério cristão que levam vidas duplas e causam desgraça a si mesmas, àqueles que amam e ao evangelho. Sabe-se que ministérios não são o único ambiente em que os hipócritas se escondem. Eles estão em todas as profissões. Banqueiros roubam dinheiro, atletas usam drogas, advogados fabricam evidências, políticos aceitam propinas, médicos vendem narcóticos e pais abusam de seus filhos. A igreja não é o único covil de ladrões. A natureza humana, sendo o que é, nos garante que encontremos pessoas mascaradas nos tribunais, clínicas, nos auditórios de palestras, escritórios oficiais, em mesmo em lares que parecem normais e felizes.

Isso, entretanto, não é desculpa para “pecados religiosos”. As pessoas esperam mais dos ministros do evangelho, justamente porque o ministério cristão está associado ao caráter. Batsell Barret Baxter afirma: “O caráter do pregador tornou-se a base sobre a qual tudo o mais se firma ou despenca”.

A construção do caráter

Phillips Brooks definiu a preparação para o ministério como “nada menos que a construção de um homem”. Ele disse:

Ela não pode ser o mero treinamento para certos truques. Também não pode ser o fornecimento de conhecimento abundante. Deve ser nada menos do que o amassar e temperar a natureza de um homem até torna-la de tal consistência e qualidade que seja passível de ser transmitida.

Em um de seus sermões, Brooks define “o grande propósito da vida” como “a moldagem do caráter pela verdade”. O que significa que precisamos ter talento, treinamento, experiência, reputação e personalidade, mas se não tivermos caráter, não teremos nada, pois a base do ministério é o caráter.
Robert Murray M’Cheyne escreveu a seu amigo missionário Daniel Edwards:

Lembre-se de que você é espada de Deus – instrumento dele -, creio que um vaso escolhido para carregar seu nome. O sucesso dependerá, em grande parte, da pureza e perfeição do instrumento. Não são tanto os grandes talentos que Deus abençoa, mas uma semelhança com Jesus. Um ministro santo é uma arma terrível nas mãos de Deus.

O caráter é a matéria-prima da vida, a partir da qual, pela diligência, construímos um templo, ou, por negligência, produzimos lixo.
Abraham Lincoln dizia que o caráter é como uma árvore e a reputação é como a sombra desta árvore. A reputação é o que as pessoas pensam que somos; caráter é o que Deus sabe que somos.  O evangelista D. L. Moody disse que o caráter é “o que um homem é no escuro”. O mestre em finanças J. P. Morgan declarou que “caráter é a melhor garantia que uma pessoa pode dar”.
Caráter é o que Jesus descreveu nas Bem-aventuranças e demonstrou em sua vida e ministério, conforme o relato dos Evangelhos. O caráter é formado pelas qualidades que o apóstolo Paulo chamou de “fruto do Espírito” em Gálatas 5.22,23; são as qualificações para o ofício em 1Timóteo 3 e em Tito 1. Pessoas de caráter têm integridade; o que elas dizem e fazem vem do coração inteiramente dedicado a Deus.

Integridade significa inteireza interior; não tentamos enganar os outros (hipocrisia) ou a nós mesmos (duplicidade).
Integridade é José dizer “não” à mulher de Potifar e ir para a prisão por ser honesto e casto. É Moisés desistir dos privilégios de um príncipe egípcio pelos perigos e problemas existentes para um profeta judeu, e por quarenta anos, sacrificialmente, servir a um povo que não merecia a sua liderança. É o profeta Jeremias devotar sua vida a suplicar a seu povo e ver a nação morrer perante seus olhos. É Paulo dizendo: “Meus irmãos, tenho cumprido meu dever para com Deus com toda a boa consequência, até o dia de hoje” (Atos 23.1, NVI), e baterem em sua boca por ter dito isso. É Martinho Lutero, na Dieta de Worms, declarando: “Não posso fazer outra coisa; esta é a minha posição. Que Deus me ajude. Amém”, e mesmo que não quisesse iniciava o movimento de Reforma da Igreja. É Jim Elliot escrevendo em seu jornal: “Não é tolo aquele que abre mão do que não pode reter para ganhar o que não pode perder”.

Caráter se revela nas coisas escondidas do dia-a-dia, como dizer a verdade quando uma mentira ira ajuda-lo a escapar de problemas, levar a culpa quando alguém a merece, não tomar atalhos em um trabalho que ninguém vai inspecionar, ou fazer sacrifícios para ajudar as pessoas que não irão apreciar o que você fizer de qualquer maneira. Caráter significa viver sua vida diante de Deus, temendo só a ele e procurando agrada-lo, não importa como você se sente ou o que outros possam dizer e fazer.

Construir um caráter é processo difícil que envolve a experiência de toda a vida. “A força do caráter é cumulativa”, escreveu Emerson em seu ensaio Autoconfiança. “Todos os dias de virtude que se passaram colaboram para tal.”
Para os cristãos, formar um caráter saudável e santo é levar as Escrituras a se tornarem uma parte do seu ser interior e obedecer ao que elas dizem. Esse tipo de caráter vem com o tempo dedicado, fervorosamente, à adoração e à oração, com os sacrifícios feitos com alegria e com o desejo de servir aos outros. O caráter é fortalecido quando sofremos e dependemos da graça de Deus para sermos conduzidos por ele e glorificamos seu nome. Isso significa dizer como Jó: “Mas ele conhece o caminho por onde ando; se me puser à prova, aparecerei como o ouro.”(Jó 23.10, NVI).

Nos dias de hoje, em que a mídia faz mágicas, pessoas insignificantes e sem talento podem alcançar fama internacional muito rapidamente, mas esse tipo de reputação não é caráter. Walter Savage Landor, nunca viu um aparelho de televisão, mas tinha essa “falsa fama” em mente quando, há mais de um século, escreveu: “Quando homens pequenos produzem grandes sombras, é sinal de que o sol está se pondo”.

Raramente o caráter se constrói em solidão; precisamos da responsabilidade e prestação de contas que outros trazem para nossa vida para que o caráter seja saudável e equilibrado. Embora não apreciemos certas experiências, precisamos dos desapontamentos e machucados que experimentamos quando amamos e servimos às pessoas. Sejam pessoas ligadas ao ministério pastoral, ao conselho de uma igreja, ou à família. O relacionamento de compromisso nos ajuda a seguir o planejamento de Deus e a construir um caráter que o agrade.

Questões de caráter

A natureza do ministério cristão nos apresenta oportunidades que podem ser testes que nos ajudam em nossa estruturação pessoal ou nos tentam para nos destruir. As pessoas nos abrem suas vidas e relacionamentos confidenciais podem levar à exploração. Semana após semana, nos apresentamos perante as pessoas e declaramos a Palavra de Deus. A apreciação destas pessoas pode inflar nosso ego, ou sua crítica, nos abater. O que achamos que é sucesso, Deus pode ver como fracasso, da mesma forma que nossas falhas aparentes podem tornar-se nossas maiores conquistas para a glória de Deus.

Embora chamados de “servos de todos”, os ministros têm mais tempo do que a maioria para administrar seu tempo e planejar suas atividades. “Em uma vida santa, deve haver controle do tempo”, escreveu Ralph Turnbull. “Devemos disciplinar as horas e submetê-las ao propósito de Deus”.

Há também a perigosa influência do amortecimento, a que Geroge Morrison chamou de “habituar-se a lidar com o que acompanha as coisas sagradas”. Mecanicamente, preparamos sermões e os pregamos, mas nosso coração não está abrasado pela mensagem de Deus. Dia após dia, oramos com pessoas feridas, e cada oração é igual à anterior, e ninguém percebe a diferença. O profeta Malaquias tinha esse tipo de ministério em mente quando denunciou os sacerdotes de seu tempo, que eram mercenários e não pastores de vidas. 

Ser capaz de devotar a vida inteira a estudar e ensinar a verdade de Deus, servindo com o povo de Deus, carregando fardos e compartilhando a construção da Igreja, é um grande privilégio!

Como o caráter se destrói

Como uma grande catedral, o caráter se constrói dia após dia, uma pedra de cada vez, com paciência e determinação, todo o tempo procurando seguir o plano de Deus passo a passo. E, como uma grande catedral, o caráter pode ser destruído silenciosamente, em vários lugares escondidos, imperceptíveis, mas nunca despercebidos por Deus. Um dia, a tempestade vem e a estrutura se rompe, e a queda é grande.

O caráter se destrói porque as pessoas falham em colocar em prática Provérbios 4.23: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (NVI). A vida é construída sobre o caráter e o caráter é construído sobre as decisões que tomamos. Contrariando os desejos de seus pais e a lei de Deus, Sansão decidiu se casar com uma mulher filisteia, sem perceber que sua decisão foi um dos primeiros passos para a sua derrota. Davi decidiu deixar o campo de batalha e ficar em casa repousando; mas ao deixar de lado suas armaduras, a material e a moral, descobriu que não poderia vencer as astutas ciladas do diabo ou os desejos do próprio corpo. Por outro lado, pessoas como José, Josué, Rute, Ester, Paulo e João, decidiram confiar em Deus, assumiram seu lugar junto ao povo de Deus e foram usados por Deus para realizar façanhas.

A erosão do caráter geralmente começa com a negligência. Deixamos de ler a Palavra, a adoração torna-se escassa e passamos a não dedicar mais tempo à meditação e à oração. Paramos de nos doar e, ao invés disso, começamos a perguntar “O que vou ganhar com isso?”. Paramos de ter fome de santidade e de exercitar a disciplina e o discernimento espiritual. Paramos de fazer aqueles sacrifícios que mostram nosso amor por Cristo e por seu povo. Fazemos nosso trabalho ministerial mecanicamente porque nosso coração não está mais nele. Com o tempo, nos vemos “fazendo arranjos” para pecar, convencidos de que podemos nos livrar da responsabilidade ou culpa daquilo que ninguém sabe.

O processo é mortal. Primeiro oscilamos, depois pecamos em segredo; em seguida vem a oculta erosão de caráter que leva a uma embaraçosa queda pública.
A tragédia é que podemos ser levados a pensar que é possível desfrutar de uma vida dupla sem consequências. Engana-se os outros e, mesmo que não se admita, a si memo. Não há como enganar a Deus e mudar suas leis. “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá” (Gálatas 6.7, NVI). O ventre da imaginação dá à luz o pecado e o pecado, por ser um assassino, cresce e começa a matar. “Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte” (Tiago 1.15, NVI). O caráter morre, a devoção morre, o lar feliz morre, a reputação morre, o ministério morre e, talvez, morra também o ministro.

A restauração do caráter

O caráter danificado pode ser restaurado? O ministério rompido pode ser reparado?
Não e sim.
Não, se o ofensor oferece desculpas em lugar de confissão, se mostra remorso em lugar de arrependimento, se resiste à autoridade e busca por todo o lado uma segunda ou terceira opinião. Não, se o ofensor corre para os braços do primeiro falso profeta que disser “Paz, paz”, onde não há paz. Não se o ofensor for em busca de atalhos, um curso de reabilitação rápido e infalível, que não é custoso nem doloroso, supervisionado por alguém que prefere a cal em vez da lavagem branqueadora de Deus.
Sim, se o ofensor está disposto a confessar o pecado com humildade, julgá-lo severamente, desviar-se dele por completo, submeter-se em obediência e cooperar pacientemente enquanto o Oleiro faz o vaso de novo. Se o processo original levou tempo e foi trabalhoso, o processo de reconstrução, da mesma forma, leva tempo e pode ser ainda mais trabalhoso, mas pode ser feito.

Recomendações finais

Nenhum servo verdadeiro de Deus vai tentar descobrir o quão perto do pecado consegue chegar e ainda assim permanecer aceitável para o serviço. Ao contrário, ele respeita as palavras do salmista: “Odeiem o mal, vocês que amam o SENHOR ...” (Salmos 97.10, NVI). Ele considera o conselho de Salomão: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida.” (Provérbios 4.23, NVI).

É mais fácil construir um caráter e zelar por ele do que reconstruí-lo depois de tê-lo perdido. “Quero crer que o grande empreendimento na terra é a santificação da própria alma”
(Henry Martyn)

Referências

WIERSBE, Warren W. & David W., 10 Princípios Poderosos para o Serviço Cristão, Editora OBPC, Shedd Publicações, 2013

Compilação de capítulos e notas. As anotações são uma ferramenta mnemônica para o estudo do livro. Muito pouco foi adicionado, vez por outra, uma alteração de sintaxe ou semantica que oferece um entendimento melhor propondo até uma tradução mais adequada.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014 - Um marco, um memorial

Os memoriais trazem à lembrança as vitórias do passado e ajudam a recuperar a confiança e a força de que precisamos no presente.
Durante os tempos de dificuldade, a lembrança dos pontos onde houve mudança em nosso passado serve como encorajamento para o presente. 
Isso nos remete ao feito do profeta Samuel, quando, após a vitória de Israel sobre os filisteus, toma uma pedra, dá-lhe o nome de Ebenézer, ou seja, pedra de socorro, marca o lugar e exclama com convicção: "Até aqui nos ajudou o Senhor". (1 Samuel 7:12)
Eis aí toda a verdade.
Ao final de um ano, não podemos deixar de olhar para trás, lá no início, desde o primeiro mês, e ver quanta coisa aconteceu.
Talvez não tenhamos erigido marcos de pedra, mas trazemos em nossos corações e em nossa lembrança os grandes feitos de Deus em nossa vida.
É tempo de repensar, de rever posicionamentos entender que Deus, através do tempo, trabalha de forma maravilhosa.
É tempo de arrumarmos a casa, e a exemplo do que foi sugerido por Samuel a Israel, tempo de nos convertermos, tempo de nos livrarmos dos ídolos, preparar o coração, agir e nos derramar perante o Senhor.
Marcos significam que a história não termina. Marcos não são a linha de chegada, são pontos de aferição. A história das nossas vidas continua.
Mas toda vez que passamos por um deles, vem-nos à memória os grandes feitos do Senhor e a forma maravilhosa com a qual Ele agiu.
Grandes vitórias estão por vir. Daqui a pouco, teremos 365 novos dias para marcar nossas vidas, nossa caminhada e de muitos com quem convivermos.
Mas fica em nossa história um marco que terá a etiqueta 2014!
Que Deus nos ajude a daqui 12 meses, plantarmos, aqui ou onde estivermos, mais um marco, mais um memorial. 
Vamos chama-lo de Ebenézer, pois não será pela nossa força, será “pedra de socorro” mesmo. E que possamos dizer “Até aqui nos ajudou o Senhor”.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

É Natal. Num menino a esperança!

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
Isaías 9:6

Grandes atos de Deus começaram com o nascimento de uma criança. Deus começa sempre bem do princípio, sempre com uma nova história.
A história da salvação começa com a chamada de Abraão (Gênesis 12), mas ela vai se concretizar com o nascimento de Isaque. É ali que começa a história do povo hebreu, com o nascimento de uma criança. 
Mais tarde, os hebreus estavam no Egito, escravos, debaixo de um pesado jugo e opressão.  Clamaram por um libertador. E a libertação vem, começando novamente pelo berço. Nasce outra criança, nasce Moisés. 
Alguns séculos a frente, o povo está gemendo outra vez, agora sob o domínio dos filisteus. A nação sofreu por quarenta anos. Mais uma vez um libertador e, novamente, o choro de uma criança, nasce um menino. É Sansão.
E, após 440 anos de silêncio sem nenhuma profecia, sem que Deus dissesse nenhuma palavra. Deus volta a falar e, mais uma vez, uma criança. Desta vez a mais importante, Jesus.
Deus começa a trabalhar através do nascimento de uma criança.

Deus é imprevisível

Deus não é programável, não há previsibilidade em suas ações, nos seus atos. Sua maneira de agir e de pensar são diferentes.
Ele não é engessado. Se assim fosse, seria qualquer outra coisa, um ídolo talvez, menos Deus.
Deus é totalmente imprevisível. 
A nação está debaixo da dominação romana, sem liberdade, uma desorientação enorme, partidos políticos se digladiando e eles esperando um libertador, um Messias.  E Deus responde com um menino. Nasceu Jesus.
A maneira de Deus pensar é diferente.
Paulo compreendeu e expressou isso de maneira admirável:
Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. 
(1 Coríntios 1:27)
Eis aí a imprevisibilidade de Deus, a pessoa de Jesus Cristo. A maior demonstração disso. 
Um menino, uma criança até então insignificante, filho de um casal de camponeses, que cresceu numa pequena cidade. Uma cidade com uma população menor do que a de muitos condomínios de nossas cidades.
Uma vida pública de três anos e a sua maior viagem não excedeu a 270 Km. 
Nunca escreveu nenhum livro.
Escolheu doze homens sem nenhuma expressão social ou política, do terceiro mundo de uma época da história humana considerada atrasada.
Mas Ele, Jesus, mudou o mundo para sempre.
Não há um outro nome que fascine mais ou que desperte mais ódio do que o dele. É absolutamente impossível permanecer impassível diante dele. Quando se aprende sobre ele ou a pessoa se rende ou se posiciona contra ele.
A religião que fundou-se sob o seu nome é uma das mais combatidas, mas é impressionante como o cristianismo cresce no mundo inteiro. 
A partir das suas próprias palavras "As portas do inferno não prevalecem" estão sendo derrubadas.
Jesus projetou uma sombra no mundo da qual o mundo nunca mais se livrará.
Ele dividiu a história do mundo em duas partes: antes dele e depois dele. Jesus marcou o mundo para sempre.
De um menino insignificante ao mais famoso, do indefeso ao mais poderoso, do despercebido ao mais notado.
No livro de Daniel, capítulo 2. Há uma visão profética da história do poder mundial, o próprio Deus revelou-lhe isto. Há uma estátua de quatro estágios, ouro, prata, bronze e ferro com barro representando os quatro grandes impérios mundiais. 
Daniel conta e revela o sonho ao rei, sonho que ele mesmo, Nabucodonor tivera. E o desfecho do sonho e interpretação:
Enquanto estavas observando, uma pedra soltou-se, sem auxílio de mãos, atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmigalhou.
Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados, viraram pó, como o pó da debulha do trigo na eira durante o verão. O vento os levou sem deixar vestígio. Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma montanha e encheu a terra toda. 
(Daniel 2:34-35)
A pedra, apontava para Jesus, tipifica Jesus Cristo, atingiu e destruiu a estátua e tornou-se uma grande montanha que cobriu o mundo inteiro. Este é o nome que vai cobrir o mundo inteiro. Seu ensino e influência são eternos.
"...O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão". 
(Mateus 24:35)
Isto é o cumprimento das palvras do profeta Isaías:
"... a terra se encherá do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar." 
(Isaías 11:9)
Deus é absolutamente imprevisível!

Deus é o Deus do impossível

Nada é mais indefeso do que um bebê. Depende totalmente do cuidado dos pais para alimentar-se, proteger-se e crescer.
Quanto tempo leva para um bebê tornar-se independente? Talvez, de toda a criação, o bebê humano é o que levará mais tempo para sobreviver independente de quem o gerou.
No entanto a este bebê foi dado "domínio sobre toda a terra, sobre animais, sobre as aves, sobre os peixes e os répteis" (Gn. 1.26).
Este bebê, indefeso, é apresentado no Apocalipse como Rei do reis e Senhor dos senhores (Ap. 19:16).
É mostrado no Apocalipse como aquele diante de quem todos os joelhos se dobram (Ap. 5:8).
Deus é o Deus do impossível. Pode fazer do nada tudo. Foi assim que Ele criou todas as coisas. 
E em Jesus, Deus transformou o filho de camponeses no mais poderoso homem da história.
É fantástico, o mundo inteiro celebrando o seu aniversário, o Natal.

Deus é o Deus das coisas pequenas

Um menino? Lá no Egito se poderia dizer: “Um menino? Precisamos de um guerreiro!”. Nos tempos do Novo Testamento teriam se questionado “Um menino? Precisamos de um líder político, forte, respeitável, cumpridor da lei.”.
Mas através do profeta Zacarias Deus faz uma observação importantíssima:
"... quem despreza o dia das coisas pequenas?" (Zacarias 4:10)
Ninguém despreze o dia das coisas pequenas. Uma pequena igreja que nasce de um grupo de oração, igrejas que chegaram antes da cidade em alguns lugares. Igrejas que começaram com uma família apenas. 
Ninguém despreze o dia das coisas pequenas. Deus é especialista nisso, em começar do nada. 
No Apocalipse Jesus começa a ser mostrado como um cordeiro. Um animal pacato, que nem bali, que vai mudo para o matadouro. Porém mais a frente o cordeiro transforma-se em um leão. 
E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos. 
(Apocalipse 5:5)
É assim que Deus faz. O bebê indefeso é o maior nome dado entre os homens.  Diante dele todo o joelho vai se dobrar.
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,  
(Filipenses 2:10)
Deus é especialista em pegar o pequeno e torna-lo grande, em pegar o fraco e torna-lo poderoso. 

Conclusão

Um menino nos nasceu. Isto é o Natal. É isto o que se celebra.
Deus gosta de crianças. Jesus, que é Deus, também gosta de crianças.
Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". (Mateus 19:14)
O Reino dos céus será feito de gente que se tornar como criança. E Jesus vai mais longe, ordena que tenhamos comportamento de criança:
e disse: "Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. (Mateus 18:3)
Criança é crédula, criança crê, confia, abandona-se.
E se você quiser entrar no Reino, precisa tornar-se uma criança, nascer de novo, converter-se, começar dos primeiros passos.
Um menino nasceu para nós e com Ele a esperança, vida e garantia de um futuro para todos nós, a vida eterna. Graças a Deus por esse menino.

A Deus toda a glória

Carlos R. Silva
Natal 2014


Referências:

• Bíblia Sagrada Almeida Revista e Corrigida, CPAD 
• Bíblia de Estudo NVI, Vida
• Pr. Isaltino G. C. Filho.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

497 anos da Reforma Protestante

Reformando a Igreja Reformada

Olhando para o cenário da igreja atual, em pleno século XXI, às vésperas de completar 500 anos da Reforma Protestante, creio ser apropriado falar da reforma da Igreja Reformada, ou ainda propor uma volta aos pilares que sustentaram a original Reforma.

Quando Martinho Lutero lançou seu desafio de reforma da Igreja Católica Romana, ele não o fez animado por um espírito de inovação ou rebeldia, mas movido por convicções enraizadas na Palavra de Deus. 

Sem dúvida a data de 31 de outubro de 1517 é de grande transcendência na história universal. A Reforma exaltou verdades bíblicas que formam o sustentáculo de nossa evangelização. De uma maneira e outra, todos os cristãos evangélicos são herdeiros da Reforma. Embora tenha sido um movimento de profundas repercussões culturais, sociais e políticas, é saudável agarrarmo-nos nesta mensagem aos seus fundamentos teológicos e, de maneira particular, à visão da salvação dos reformadores. 

Ao fixar as famosas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, Martinho Lutero fez crescer o movimento que ganhou o nome de Reforma Protestante, que buscava objetivamente o retorno a um Cristianismo centrado nas Escrituras Sagradas. O monge alemão questionava os intermediários da fé apresentados pela Igreja Romana, que pregava a penitência individual como meio de reconduzir a pessoa a um relacionamento com Deus, deixando o arrependimento sincero e a fé em Jesus Cristo em segundo plano. Esses apontamentos originaram os cinco pontos que são os pilares da Reforma:


Sola Scriptura
Somente as Escrituras Sagradas são a regra de fé do cristão. A tradição da Igreja Romana e os documentos papais não têm este poder e tampouco devem exercer esse papel.

Solus Christus
Somente Cristo é o autor da salvação e mediador para reconciliação do homem com Deus Pai. O ser humano nada pode fazer para a salvação de sua alma.

Sola Gratia
O fator decisivo para a salvação do homem é a graça de Deus. Não há mérito, boas obras ou qualquer esforço humano capaz de produzi-la.

Sola Fide
A fé em Cristo é a única tarefa que o homem deve realizar para ter certeza da sua salvação. Boas ações não têm valor algum nesse processo.

Soli Deo Gloria
Somente a Deus o cristão deve render glórias, ao contrário da tradição romana que defendia a reverência aos papas e cardeais da Igreja.

A Editora Anno Domini convidou cinco líderes cristãos para analisar a igreja atual com base nos Cinco Solas da Reforma Protestante. Cada um comentará sobre uma delas e como os cristãos têm procedido sobre o tema citado. 

A igreja tem praticado o Soli deo Gloria (Glória somente a Deus)? 

Há elementos disso presentes na igreja, sim. Mas há muita carnalidade, ambição e vanglória, não há dúvida. Sempre precisamos voltar às bases e à contemplação do Mestre. Pois a Igreja Reformada sempre vive se reformando. As maiores evidências se apresentam nos amores que nós cultivamos. Richard Sibbes, teólogo e pastor puritano disse que são os nossos amores que revelam a saúde do nosso coração – se ele está voltado para Deus ou não. Qual é a primeira coisa que ocupa a nossa mente e coração ao acordarmos de manhã? Qual é a última coisa que passa pela nossa cabeça a noite? É nas pequenas coisas do dia a dia que vemos como anda o nosso coração. 

Walter McAlister – bispo primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida e autor dos livros “O Fim de Uma Era”, “O Pai Nosso” e “Neopentecostalismo: a história não contada”, lançados pela Editora Anno Domini


A igreja tem praticado o Solus Christus (Somente Cristo)? 

Grande parte dos cristãos hoje além de desconhecerem princípios como o Solus Christus, sequer conhecem ou buscam se aprofundar nos textos bíblicos que fundamentam o mesmo. Sobretudo na cultura brasileira fortemente influenciada pelo peso clericalista do catolicismo, evangélicos buscam não apenas em outras pessoas (líderes carismáticos, pastores “motivadores”, “irmãs de oração”, “pais espirituais” etc) mas em instituições e até mesmo em amuletos (rosa ungida, miniaturas de arca da aliança, bíblias de 900 reais etc), a redenção para as suas vidas. A esperança reside no fato de existir uma parte da Igreja atual que não se curva diante de outros mediadores e tem bebido em fontes históricas para resgatar um genuíno e efetivo legado espiritual que estabelece Cristo em seu lugar central e principal na Igreja. 

João Costa – pastor titular da Igreja Vineyard Central do Rio de Janeiro-RJ 

A Igreja atual tem praticado o Sola Fide (Somente a Fé)? 

A Igreja Romana, durante o tempo da Reforma, não negava que a fé era necessária para a salvação. Mas era uma fé no poder da Igreja, dizendo respeito muito mais a uma questão de conhecimento e consentimento. A Reforma, entretanto, apregoou que a fé era uma questão de confiança e não confiança na eficácia ou no ensino da Igreja, mas no poder de Deus que pode salvar plenamente os que se aproximam dele, confiando nos méritos de Cristo.
Uma grande distinção que a Reforma fez e que é muito importante para nós hoje é que quem salva é Cristo e não a fé. A fé não pode ser considerada uma pequena obra que em última instância tem poder de nos salvar. A fé é apenas o instrumento pelo qual nos apropriamos da salvação, conquistada plenamente por Cristo. Porém, ainda assim, poderia ficar a impressão de que a fé é uma pequena obra necessária para a salvação, não fosse o ensino inequívoco da Escritura de que, mesmo a fé, é um dom de Deus (Ef 2.8,9; Rm 12.3; Jd 3). 

Em linhas gerais a Igreja atual está longe do padrão da Reforma, pois introduziu todo tipo de amuletos e superstições nos moldes da Igreja Romana. Por isso, a mensagem da salvação somente em Cristo pela fé não é uma realidade. Na verdade, pregar sobre salvação pela fé dentro dos moldes bíblicos pode ser muito impopular nos dias atuais. Dizer que o homem não tem poder algum para se salvar pode ser considerada uma frase praticamente extinta. E o motivo não é difícil de se identificar. As pessoas argumentam: mas ser salvo do quê e por quê? O fato é que elas não se sentem perdidas. Foi o tempo quando a pregação da Lei desesperava as pessoas de modo que elas se refugiavam em Cristo. O problema não é que a Lei não tem mais esse poder, e sim, o fato de que a Lei não está mais sendo ouvida. As pessoas não querem ouvir sobre seus pecados, querem apenas mensagens de autoajuda, de “soluções”, não se preocupam com a Ira de Deus, não veem a maldade e a ofensa de seus pecados, por isso, ainda confiam em si mesmas. Elas precisam ouvir a respeito do fogo do Inferno e da depravação humana, pois somente assim deixarão de confiar em si mesmas e se entregarão a Cristo pela fé somente. 

Leandro Lima – pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro-SP e professor do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, da Universidade Mackenzie-SP. 

A Igreja atual tem praticado o Sola Gratia (Somente a Graça)?

Os reformadores divergiam de Roma não porque estes pregassem uma salvação exclusivamente por obras, mas porque aqueles defendiam que a salvação é pela graça somente. É esta palavrinha – sola – que divide o entendimento reformado do entendimento católico. Essa doutrina, portanto, significa que o pecador nada pode fazer para obter mérito e que o pecador não coopera com Deus, a fim de merecer a sua salvação. Entre nós cristãos protestantes ninguém ousaria dizer que não somos salvos pela graça de Deus, embora haja divergências quanto ao livre-arbítrio e ao conceito de graça preveniente entre as tradições arminiana e reformada (calvinista). Entretanto, creio que haja uma falta de compreensão bíblica quanto ao papel da graça divina em toda a extensão da vida cristã. Somos salvos pela graça somente e continuamos a viver somente pela graça. O favor imerecido de Deus alcança toda nossa trajetória como cristãos; não é o caso de pensarmos que “já fomos salvos pela graça, agora tudo depende de mim”. Até mesmo a disciplina que de nós é exigida no processo de santificação é fruto da graça de Deus, pois é Ele quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele (Fp 2.13). 

Marcelo Maia – pastor auxiliar da Catedral da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida, no Recreio-RJ, e diretor do Instituto Bispo Roberto McAlister de Ensinos Cristãos (IBRMEC) 

A Igreja atual tem praticado o Sola Scriptura (Somente as Escrituras)?

O Sola Scriptura, como afirmação de que a Bíblia, e não a tradição, é a autoridade infalível na fé cristã, tem sido questionado hoje em dia até mesmo em meios evangélicos. Com isso a autoridade das Escrituras é enfraquecida e a fé cristã passa a descansar num terreno arenoso. Se não podemos confiar na autoridade das Escrituras e se são elas que testificam de Jesus, como podemos estar seguros de que o que cremos acerca de Jesus é verdade? Para o cristão, a autoridade das Escrituras anda de mãos dadas com a firmeza de sua fé. 

Sandro Baggio – pastor do Projeto 242 de São Paulo e missionário da organização internacional Steiger 



A Deus toda a glória!


Carlos R. Silva
31 Outubro 2014 – 497 anos da Reforma Protestante


Referências:

1· Compilação do artigo:
Editora Anno Domini, Os cinco solas e a Igreja do Século XXI
http://www.editoraannodomini.com.br/site/ad-reforma-protestante/

2· Compilação do artigo:
O dia da Reforma e o sacerdócio de todos os crentes, Editora Ultimato
http://www.ultimato.com.br/conteudo/o-dia-da-reforma-e-o-sacerdocio-de-todos-os-crentes#reforma+protestante

3· Compilação do artigo:
Sola Gratia, Solo Christus, Sola Fide e Sola Scriptura, Editora Ultimato
http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/296/sola-gratia-solo-christus-sola-fide-e-sola-scriptura

4· Compilação do artigo:
A nova Reforma Protestante, Revista Época
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI161475-15228,00-A+NOVA+REFORMA+PROTESTANTE.html

Halloween e os cristãos

Afastem-se de toda forma de mal.Que o próprio Deus da paz os santifique inteiramente. Que todo o espírito, alma e corpo de vocês seja conservado irrepreensível na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.[1 Tessalonicenses 5:22-23]

Por que os cristãos dizem 'não' com tanta veemência para o Halloween? Simplesmente porque são cristãos. Halloween é um antigo festival pagão: druidas (sacerdotes de ídolos) costumavam ir de casa em casa pedindo dinheiro para o deus deles. A casa que se recusava a doar alguma coisa seria amaldiçoada e se lançariam feitiços sobre a família que morava lá.
Muitos pais consideram o Halloween nada mais que uma inocente celebração, na qual as pessoas se fantasiam e se divertem. Mas muitas mentiras estão por trás dessas "atividades divertidas", desse desfile de fantasmas, vampiros, esqueletos e demônios. Ainda que não associem o Halloween com práticas ocultistas, até mesmo educadores, sociólogos e psicólogos alertam sobre o dano potencial desse costume.
Outros argumentam: "Qual a diferença entre o Halloween e o Natal? Temos o Dia das Mães e o Dia dos Pais. Não temos de ser fanáticos e intolerantes. E, além disso, essas datas são boas para o comércio". E assim o Halloween é comemorado. Só que, ao invés de despertar sentimentos de ternura e união, o Halloween é uma representação da maldição, da morte e da violência.
Mesmo que sejamos chamados de fanáticos, nós, cristãos, não podemos deixar de nos manifestar firmemente contra tais coisas que o mundo, o sistema, quer tornar aceitável. A origem do Halloween não provém de Deus; ao contrário, é nascida de práticas idólatras, que as Escrituras repetidamente exortam o povo de Deus a não participarem. Isso já é argumento mais que suficiente para os verdadeiros filhos de Deus.
Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.
[Mateus 22:37]
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adaptação de: www.apaz.com.br